Nova pesquisa AtlasIntel: Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente no 2º turno
Lula e Flávio empatados tecnicamente no 2º turno, diz AtlasIntel

A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg reforçou o cenário de equilíbrio na corrida presidencial, indicando que Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro chegam tecnicamente empatados em um eventual segundo turno. No programa Ponto de Vista, apresentado excepcionalmente por Veruska Donato, o resultado foi analisado pelo colunista Robson Bonin e por Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel.

O que a nova AtlasIntel revela sobre a disputa?

Segundo o levantamento, Lula aparece com 47,5% das intenções de voto, contra 47,8% de Flávio Bolsonaro. Nos cenários de primeiro turno, o presidente lidera em todas as simulações em que foi testado. Para Bonin, o principal recado da pesquisa é a estabilização da corrida eleitoral. Na avaliação do colunista, não há neste momento fatos novos capazes de deslocar de forma significativa os eleitores mais identificados ideologicamente. “A disputa está muito cristalizada nessa polarização”, afirmou. Isso significa que tanto Lula quanto Flávio mantêm bases sólidas, com baixa tendência de migração entre os polos.

Lula melhorou de posição?

Na leitura de Sanches, houve leve recuperação do presidente em relação à rodada anterior. Segundo ele, o governo se beneficia de um ambiente econômico menos adverso. “Os resultados econômicos estão mais ou menos controlados, com o real se valorizando, o que gera um arrefecimento no mau humor do eleitor brasileiro”, disse. Ainda assim, a melhora é considerada modesta e insuficiente para romper o empate técnico.

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Quem pode decidir a eleição?

O centro político e os eleitores sem forte identidade ideológica tendem a ser decisivos. Bonin afirmou que esse grupo procura uma alternativa fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo. Os chamados “eleitores de centro” serão, segundo ele, os mais cobiçados daqui para frente. Para esse segmento, mais importante do que discurso identitário será a percepção de capacidade de gestão e de soluções concretas para o país.

Por que o governo enfrenta dificuldades com esse eleitor?

Sanches avaliou que o discurso oficial ainda não conversa plenamente com a experiência cotidiana de muitos brasileiros. “O problema é que o discurso do governo não conecta com a realidade dos eleitores brasileiros que estão endividados, com dificuldades de até encher o carrinho de supermercado”, afirmou. Segundo ele, parte relevante do eleitorado julga a administração a partir do orçamento doméstico e do custo de vida.

O eleitor indeciso está esperando o quê?

Na análise do diretor da AtlasIntel, o eleitor em disputa adota postura pragmática e tende a decidir mais perto da votação. Esse grupo observa entregas concretas do governo e também cobra propostas consistentes da oposição. Além disso, leva em conta temas como segurança pública, corrupção e condução da economia. “Ele tende a deixar sua decisão mais para a última hora”, disse Sanches. Tanto Lula quanto Flávio carregam rejeições sólidas, o que limita movimentos amplos de crescimento espontâneo. Com isso, a disputa tende a ser definida menos por conversão de adversários e mais pela capacidade de mobilizar indecisos, reduzir resistências e apresentar agenda confiável ao eleitorado moderado.

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