Imagens de câmeras de segurança registraram o instante em que um avião de pequeno porte colidiu contra um prédio residencial no bairro Silveira, em Belo Horizonte, na segunda-feira (4 de maio). O acidente se encaixa no perfil mais comum dos acidentes aéreos brasileiros, conforme dados oficiais analisados pela reportagem.
Detalhes do acidente
Segundo informações preliminares do Corpo de Bombeiros, a aeronave transportava cinco ocupantes. O piloto, de 34 anos, e um passageiro que estava no banco do copiloto, de 36 anos, morreram no local. Outros três passageiros foram resgatados com vida, mas um deles faleceu após dar entrada no hospital, de acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Não houve vítimas no edifício atingido, informaram os bombeiros. Os moradores foram retirados com auxílio de escadas, pois o hall do prédio ficou parcialmente comprometido.
Perfil da aeronave
O avião, um Neiva de prefixo PT-EYT, de uso particular, possui características frequentemente associadas a acidentes, como porte pequeno e finalidade não comercial. A reportagem cruzou o registro da aeronave no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com dados de quase 3 mil acidentes aéreos ocorridos no Brasil desde 2007, período em que cerca de 1,6 mil pessoas morreram em ocorrências do tipo. Nenhuma dessas associações indica causa específica; os motivos serão conhecidos apenas após as investigações.
Estatísticas do Cenipa
Nas estatísticas do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), aeronaves mais leves são as que mais aparecem em acidentes. Quando se cruzam os acidentes com o tipo de uso registrado, a aviação particular lidera, com cerca de 1,2 mil ocorrências, quase metade do total, e também concentra o maior número de vítimas fatais.
Opinião de especialista
Para o engenheiro aeronáutico Shailon Ian, presidente da Vinci Aeronáutica, esse padrão é esperado e não indica necessariamente um problema de segurança. “Os processos de certificação são diferentes. Para certificar uma aeronave menor, os requisitos são diferentes dos de uma aeronave grande. Se as operações fossem todas iguais, só por isso você já deveria esperar um número maior de acidentes na aviação leve e particular. Não quer dizer que é inseguro, mas que os requisitos são diferentes”, explicou.
Ian destacou que a fiscalização das autoridades aeronáuticas se concentra na aviação comercial, onde viaja a maior parte dos passageiros e há mais recursos. A diferença real, segundo ele, está no treinamento dos pilotos. “Um piloto da aviação comercial precisa passar por simulador de voo a cada seis meses. O dono do avião particular não tem essa exigência. Quem define isso é o proprietário, e alguns economizam nesse aspecto.”
Fator humano
De acordo com Ian, a maior parte dos acidentes aéreos brasileiros tem como causa apontada o chamado fator humano: uma decisão equivocada de alguém na cadeia operacional. Ele lembrou que o indicador internacional para comparar segurança aérea é a taxa de acidentes por milhão de horas voadas, divulgada anualmente pelo Cenipa. “Mesmo considerando o tamanho da nossa aviação, estamos na nuvem dos países seguros para voar”, afirmou.
Investigação em andamento
O monomotor vinha da região do Vale do Jequitinhonha e pousou no Aeroporto da Pampulha, na capital mineira, de onde decolou às 12h16. O piloto reportou à torre de controle dificuldades na decolagem. Ao cair, o avião bateu entre o terceiro e o quarto andar de um prédio de três andares e caiu em um estacionamento. As equipes de resgate foram acionadas por volta de 12h21. Segundo a Defesa Civil, não houve danos estruturais na edificação. O Cenipa e a Polícia Civil investigam as possíveis causas do acidente.



