Uma mulher de 27 anos, identificada como Carolina Lisboa da Cruz, foi morta na manhã de sábado (9) em Barrinha (SP). A amiga da vítima, Vitória Mendes Pavão, revelou que Carolina havia sido ameaçada pelo namorado, Anderson Vieira Bastos, de 37 anos, para que retirasse o pedido de medida protetiva que havia feito contra ele no início do ano. Anderson está preso sob suspeita de cometer o crime.
Relacionamento abusivo
Segundo Vitória, a relação era extremamente abusiva. “Ele batia nela, ameaçava ela. Ela chegou a fazer uma medida protetiva contra ele, só que aí ele ficou sabendo, ele ameaçou ela pra ela tirar a queixa, foi na onde que ela tirou. A família fez tudo o que fez pra não acontecer isso e, infelizmente, aconteceu”, lamentou a amiga.
Em janeiro, Carolina registrou pelo menos dois boletins de ocorrência por violência doméstica e conseguiu a medida protetiva, mas revogou o pedido em abril, três meses depois.
Descumprimento e pedido de prisão negado
A delegada Giovanna Scudellari explicou que, após o descumprimento da medida protetiva, foi solicitada a prisão preventiva de Anderson, mas o pedido foi indeferido pelo juiz. “Eles tiveram uma ocorrência no Ano Novo, que foi uma ocorrência de lesão corporal, e posteriormente, poucos dias depois de a gente ter feito o pedido de medida protetiva, ele já descumpriu essa medida. Diante desse descumprimento e dos crimes serem em uma data tão próxima, foi feito o pedido de prisão preventiva, mas, infelizmente, foi indeferido pelo juiz. E aí, posteriormente, em abril, ela fez voluntariamente a revogação da medida protetiva”, detalhou a delegada.
Tentativas de separação e ameaças constantes
Vitória contou que a família sempre aconselhava Carolina a se afastar de Anderson, mas o medo era constante. “A gente conversava todos os dias, eu, os irmãos dela, a mãe dela, minha mãe, a gente sempre deu conselho pra ela”. A amiga ainda afirmou que Carolina tentou terminar o relacionamento, mas era perseguida e agredida. “Ela tentou [sair da relação], mas era um relacionamento bem abusivo. Ele vinha na porta da casa dela, chamar ela de madrugada, onde que ele via ela, ele batia nela”.
O crime
O feminicídio ocorreu por volta das 12h de sábado, em um imóvel na Rua Antônio Rodrigues da Silva, no Jardim Paulista, em Barrinha. De acordo com vizinhos, Carolina e Anderson chegaram ao local, onde funciona um bar de propriedade do suspeito, por volta das 8h10. Ele fechou as portas e, por volta das 9h30, uma discussão entre o casal foi ouvida, durando cerca de 30 minutos. Às 12h, Anderson saiu do estabelecimento pedindo ajuda, alegando que não sabia se a vítima estava morta ou dormindo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas o óbito foi constatado no local.
A delegada relatou que Carolina apresentava uma lesão na cabeça, aparentemente causada por um objeto cortocontundente, mas a causa da morte ainda depende do laudo do médico legista. Anderson negou o crime à polícia, dizendo que Carolina havia caído e batido a cabeça no chão, mas não explicou a demora para pedir socorro. Ele também mencionou que “soube que estava sendo traído pela companheira” e que ela “estaria passando informações para a polícia que ele estaria traficando”. O suspeito foi preso em flagrante e passará por audiência de custódia na segunda-feira (11).



