Fábrica de gelo movida a energia solar no Amazonas revoluciona a vida de 400 pescadores
Uma fábrica de gelo totalmente movida a energia solar entrou em operação recentemente na comunidade Santa Helena do Inglês, localizada no município de Iranduba, no estado do Amazonas. Este projeto inovador, que demandou aproximadamente um ano e meio para ser concluído, tem a capacidade de atender até quatrocentos pescadores da região, promovendo uma significativa redução nos custos operacionais e nas perdas associadas à conservação do pescado.
Um sonho antigo da comunidade se torna realidade
Situada às margens do majestoso Rio Negro, a cerca de uma hora e meia de lancha da capital Manaus, a instalação da fábrica representava um anseio histórico dos moradores locais. Agora, com uma infraestrutura própria e autossuficiente, a unidade alcança uma produção impressionante de uma tonelada de gelo por dia. Todo o processo é alimentado por energia solar, e o gelo é fabricado utilizando água potável extraída de um poço artesiano, garantindo qualidade e sustentabilidade.
Valcléia Lima, superintendente adjunta da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), destacou a multifuncionalidade do empreendimento: "Ela amplia para outras atividades, não é só para produzir o gelo, armazenamento e conservação do peixe. Serve também para conservar produtos de atividades turísticas, que é outra vertente que se desenvolve vigorosamente nesta região".
Redução drástica de custos e perdas para os pescadores
Antes da inauguração desta fábrica, os pescadores eram obrigados a se deslocar até Manaus para adquirir gelo, uma jornada que onerava substancialmente sua atividade. Os gastos com logística e as perdas durante o transporte, devido ao derretimento, eram extremamente elevados.
O pescador Nelson Brito compartilhou sua experiência: "A gente ia a Manaus e gastava uma média, só em logística, de R$ 1,2 mil, tendo que comprar cerca de cinco toneladas de gelo, o que hoje equivale a pouco mais de mil reais. Havia uma perda que podia chegar a 70% ou 60% porque o gelo derretia. Atualmente, não temos mais essa perda, o que nos permite obter um saldo financeiro positivo ao final de cada safra".
Na comunidade, o gelo também é comercializado em pequenas quantidades, com um saco de vinte quilos custando R$ 20, facilitando o acesso para todos os produtores.
Investimento robusto e foco no desenvolvimento sustentável
O investimento total no projeto atingiu a marca de R$ 1,5 milhão, com recursos provenientes de uma empresa do Polo Industrial de Manaus, por meio da Lei de Informática. Este montante abrangeu a aquisição de maquinário especializado, uma miniusina solar e baterias de armazenamento, que asseguram o funcionamento contínuo da fábrica, mesmo em dias chuvosos.
Thiago Mendes, líder técnico de pesquisa e desenvolvimento, explicou o compromisso: "Uma de nossas obrigações é investir em projetos na região da Suframa. Compreendemos essa necessidade porque está desenvolvendo o território, a localidade e, indiretamente, contribuindo para a preservação da floresta".
Fortalecimento da bioeconomia e novo empreendedorismo local
A iniciativa vai além da produção de gelo; ela busca fortalecer a bioeconomia na Amazônia, incentivando negócios sustentáveis e mostrando o potencial da região. Karol de Souza Barbosa, gestora do programa PPBio do Instituto de Desenvolvimento Ambiental e Social da Amazônia (Idesam), afirmou: "É trazer essa potencialidade da Amazônia para sua vocação, demonstrando que a região possui alternativas viáveis para impulsionar a bioeconomia através de negócios e comércio sustentáveis".
A gestão da fábrica ficou a cargo de Demétrio Júnior Mendonça, um ex-pescador que agora atua como empreendedor na comunidade. Ele expressou sua satisfação: "É muito gratificante ter algo que proporciona retorno financeiro e, ao mesmo tempo, contribui para que outras pessoas possam desenvolver suas cadeias produtivas de maneira mais eficiente e sustentável".
Esta fábrica de gelo solar não apenas resolve um problema logístico crítico, mas também se torna um símbolo de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento comunitário na Amazônia, abrindo portas para novas oportunidades econômicas e turísticas.



