Fantástico revela como a Polícia Federal acessa celulares apreendidos sem senha e desligados
A Polícia Federal possui equipamentos avançados que permitem acessar dados de celulares apreendidos mesmo quando os aparelhos estão desligados ou protegidos por senha. Essas ferramentas são capazes de recuperar mensagens e arquivos que foram apagados pelos aplicativos, desempenhando um papel crucial em investigações criminais. Mas como exatamente funcionam essas tecnologias restritas?
Ferramentas de acesso restrito: Cellebrite e Greykey
Programas como o israelense Cellebrite e o americano Greykey, de uso restrito a autoridades, conseguem acessar informações em iPhones e dispositivos Android mesmo quando estão bloqueados. Eles se conectam aos aparelhos via cabo USB e tentam descobrir a senha de bloqueio para baixar dados como arquivos e mensagens. A licença anual desses programas pode custar cerca de US$ 50 mil (R$ 270 mil), conforme revelado por especialistas.
A importância da Gaiola de Faraday na preservação de evidências
Uma etapa fundamental na investigação é preservar o dispositivo em um recipiente que siga o conceito da física conhecido como Gaiola de Faraday. Este recipiente, que pode ser uma bolsa ou caixa com revestimento metálico, bloqueia sinais externos como internet e redes celulares. O objetivo é impedir que o dono do aparelho apague dados remotamente.
"O equipamento fica ligado, mas não consegue se comunicar com o Wi-Fi, com a antena da rede de celular. Não há contato com o mundo exterior, o que é o ideal", explicou Wanderson Castilho, perito em segurança digital, em entrevista ao g1 em janeiro de 2026.
Técnicas de extração de dados: do bloqueio ao desmontagem
Segundo Castilho, a técnica usada varia conforme a condição do dispositivo:
- Aparelho com tela bloqueada: Utilizam-se programas como Greykey e Cellebrite para tentar descobrir a senha e extrair informações via USB.
- Aparelho desligado ou danificado: Adota-se a técnica chip off, onde componentes como o chip de memória são desmontados e as informações transferidas para outro dispositivo.
No caso do chip off, Castilho detalha: "O celular está desligado daquela forma como vemos a tela, mas você precisa mandar pulsos elétricos para fazer a extração. Desmonta, tira a tela, pega os componentes, principalmente a memória, e faz uma espécie de remontagem para fazer a extração".
A urgência na perícia digital
Apesar de arquivos e mensagens não serem apagados da memória com o tempo, a extração deve ser feita o quanto antes. Peritos têm pressa porque alguns registros, como a senha de bloqueio da tela, ficam em uma memória temporária do aparelho.
"Com algumas ferramentas, é possível achar essa senha e quebrá-la de um jeito muito mais fácil. Se desligar e ligar, fica mais difícil de quebrar", alerta Castilho. Alguns celulares, como iPhones com atualizações específicas, podem reiniciar automaticamente após três dias bloqueados para dificultar a extração da senha.
Essas técnicas demonstram como a tecnologia forense digital evolui para enfrentar desafios em investigações, garantindo que evidências cruciais sejam preservadas e acessadas mesmo em condições adversas.



