Sempre que você se conecta à internet, seus dados estão sendo coletados por provedores, servidores ou navegadores. Essas informações ajudam empresas a entender clientes, mas também podem ser usadas para localizar ameaças, como os EUA fizeram para encontrar Osama Bin Laden. No entanto, a coleta bruta de dados não basta; com cerca de 400 milhões de terabytes gerados diariamente, organizações precisam de softwares de IA para organizar e interpretar essas informações.
A ascensão da Palantir
Atualmente, especialistas em cibersegurança apontam que nenhum software de análise de dados se compara à Palantir, especialmente em segurança e inteligência militar. O jornalista Michael Steinberger, autor de The Philosopher in the Valley, afirma que o sucesso da empresa vem do desenvolvimento de sua tecnologia em parceria com os serviços de inteligência dos EUA. "A reviravolta foi o investimento da In-Q-Tel, braço de capital da CIA", explica Steinberger à BBC News Mundo. Os engenheiros da Palantir tiveram acesso direto aos analistas da CIA, criando ferramentas sob medida.
Uso em agências governamentais
As ferramentas da Palantir são amplamente usadas por agências como CIA, FBI, NSA, CDC e ICE. O ICE, por exemplo, as utiliza para localizar imigrantes para deportação. Steinberger destaca que o ICE recorreu à Palantir em 2014, após a morte de um agente da DEA no México, conseguindo encontrar o assassino rapidamente ao integrar grandes volumes de dados.
Origens: do PayPal ao 11 de setembro
No final dos anos 1990, o PayPal, fundado por Peter Thiel e Elon Musk, enfrentava fraudes. Max Levchin desenvolveu o software Igor, que reduziu as fraudes a menos de 0,5%, chamando a atenção do FBI. Após os atentados de 11 de setembro, a Comissão do 11 de Setembro apontou falha na integração de dados entre CIA e FBI. Thiel viu no Igor uma solução e buscou contato com a CIA.
O CEO filósofo
Peter Thiel recrutou Alex Karp, amigo da faculdade e doutor em filosofia alemã, para ajudar a conseguir investidores. Apesar de suas diferenças ideológicas — Thiel conservador, Karp progressista —, Karp tornou-se CEO. O nome Palantir vem das pedras mágicas de O Senhor dos Anéis, simbolizando a capacidade de ver além. Karp defende a superioridade tecnológica dos EUA como dissuasão, afirmando que "as guerras são travadas com tecnologia".
Controvérsias e expansão global
A Palantir sempre foi política, comprometendo-se a não vender para China ou Rússia. Atende países alinhados aos EUA, como Israel, Reino Unido, Ucrânia e França. Suas ferramentas foram usadas na morte de Bin Laden, na retirada do Afeganistão e na identificação de alvos no Irã. A empresa também desenvolve o software do "Domo de Ouro", sistema antimísseis do governo Trump.
Responsabilidade e críticas
A Palantir defende que os reguladores devem impor limites ao uso de sua tecnologia. Louis Mosley, diretor europeu, afirma que o software exige decisão humana. No entanto, críticos como a professora Elke Schwarz alertam que a velocidade pode levar a erros, incluindo alvos civis. Steinberger questiona: "A Palantir tem responsabilidade por abusos ou crimes de guerra cometidos com sua tecnologia?"
Com valor de mercado superior a US$ 380 bilhões, a Palantir continua crescendo, enquanto o debate sobre ética e vigilância se intensifica.



