Um experimento digno de ficção científica está em andamento no aeroporto de Haneda, em Tóquio. Desde a semana passada, androides de última geração, como o Unitree G1 e o Walker E, circulam pelo pátio de manobras não como atração, mas como força de trabalho. A iniciativa é da Japan Airlines em parceria com o GMO Internet Group e tem previsão de duração até 2028.
Operações de solo automatizadas
O foco do projeto está nas chamadas operações de solo, que englobam todas as atividades realizadas antes e depois de cada voo. Os robôs atuam no carregamento e descarregamento de bagagens, manuseio de cargas, fixação de travas nas aeronaves e limpeza de cabines. A escolha por esses androides se deve à necessidade de mobilidade e adaptabilidade em um ambiente repleto de espaços estreitos e que exige esforço físico considerável.
Máquinas versáteis
Diferentemente de máquinas de função única ou de estrutura fixa, os auxiliares cibernéticos possuem características próximas às humanas, o que permite sua integração ao cotidiano do aeroporto sem exigir grandes reformas. Essa versatilidade é essencial para lidar com as demandas variadas do pátio de manobras.
Urgência demográfica
Mais do que uma questão técnica, o projeto responde a uma urgência demográfica. O Japão enfrenta envelhecimento acelerado da população e escassez de mão de obra braçal, problema agravado pela expansão do turismo global. A iniciativa não visa substituir trabalhadores, mas libertá-los das tarefas que mais desgastam o corpo e menos estimulam a mente.
Visão de Asimov
O propósito é exatamente o tipo de máquina utilitária que o escritor Isaac Asimov (1920-1992) imaginava: não uma ameaça à humanidade, mas um instrumento a seu serviço. A implementação desses androides no aeroporto de Haneda representa um passo concreto rumo ao futuro do trabalho, combinando tecnologia de ponta com soluções para problemas reais da sociedade japonesa.
Publicado em VEJA de 1º de maio de 2026, edição nº 2993.



