Tecnologia que mede 'suor' das plantas ajuda a salvar colheitas na seca
Sensor de 'suor' vegetal salva colheitas na seca

Em um cenário de mudanças climáticas, com estresse hídrico, ondas de calor e aumento do risco de pragas, tecnologias que monitoram o comportamento das plantas em tempo real ganham destaque. Uma delas mede algo invisível a olho nu: o “suor” das plantas, ou evapotranspiração.

O que é evapotranspiração?

Júlio César Hollenbach, CEO da Sigma Sensors, explica: “A evapotranspiração é todo o balanço hídrico do solo. Se sei quanto choveu, quanto ficou no solo e quanto está indo para a atmosfera, entendo exatamente o que a planta absorveu.” A novidade será apresentada na Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do Brasil, em Ribeirão Preto (SP), até 1º de maio.

Como funciona na prática?

A evapotranspiração é o processo pelo qual a água passa do solo para a atmosfera, por evaporação ou transpiração das plantas. Sensores modernos medem esse processo com precisão. “O sensor mede a quantidade de vapor de água no ar a partir de comprimento de onda. Ele emite um sinal e identifica com exatidão quanto vapor está presente na massa de ar”, afirma Hollenbach. A tecnologia também capta o movimento do ar, indicando se a umidade sobe ou desce, permitindo calcular o fluxo real de evapotranspiração.

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O professor Vinicius Cambaúva, da Harven School, ressalta: “O clima é um fator que o produtor não controla. Por isso, ele precisa se proteger com estratégias que reduzam o impacto financeiro quando o problema acontece.”

Decisão no momento certo

Com os dados do sensor, o produtor toma decisões críticas sobre irrigação. “Ele entende se precisa irrigar mais ou menos. Exagerar na água estressa a planta; faltar reduz produtividade. O equilíbrio é tudo”, diz Hollenbach. Antes, o produtor se guiava pelas estações, mas com as mudanças climáticas, dados confiáveis são essenciais. “Os dados vão para a nuvem e são acessados no celular ou computador. O produtor vê em tempo real o que ocorre na lavoura e age antes que o problema vire prejuízo”, explica.

O uso da tecnologia exige conhecimento técnico para transformar dados em decisões adequadas para cada cultivo. O principal desafio é a falta de mão de obra qualificada para interpretar e aplicar as informações no campo.

Investimento e gestão de risco

Sensores de alta precisão têm custo elevado no Brasil, limitando o acesso. Segundo Hollenbach, a adoção é mais comum entre grandes produtores. Equipamentos confiáveis custam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. “É um investimento alto, principalmente por causa dos impostos. Geralmente os maiores produtores procuram, pois têm escala e conseguem diluir o custo”, comenta.

Cambaúva destaca que, além dos riscos climáticos, o produtor precisa de planejamento financeiro para mitigar riscos sem comprometer recursos. “O dado melhora a tomada de decisão, mas precisa estar integrado a uma estratégia maior de gestão”, conclui.

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