Estudante com paralisia infantil fica dois meses sem aula por falta de mediador no AC
Jovem com paralisia infantil fica 2 meses sem aula no AC

Há mais de dois meses sem aulas desde o início do ano letivo, o estudante Pablo de Souza Araújo, de 14 anos, que tem paralisia infantil, enfrenta a falta de um mediador na Escola Estadual União e Progresso, localizada na zona rural de Porto Acre, no interior do Acre. O pai do adolescente, o barbeiro Mizael José Magalhães de Araújo, denuncia que a situação se repete todos os anos, fazendo com que o filho perca parte significativa do calendário escolar.

Problema recorrente

De acordo com Mizael, Pablo sempre demonstrou interesse pelos estudos, apesar das limitações motoras. No entanto, a ausência de um mediador é um obstáculo constante, que já ocorreu em outras duas escolas onde o jovem estudou anteriormente. “Ele não consegue falar nem andar, mas isso nunca foi uma limitação. Sempre gostou de estudar e, quando fica sem aula, faz gestos perguntando por que não está indo para a escola. É uma situação difícil, pois todo ano se repete”, lamenta o pai.

O pai também relata que o adolescente ficou sem estudar durante a pandemia devido às dificuldades de acesso ao ensino remoto e à falta de um profissional adequado. Mesmo após a retomada das aulas presenciais, Pablo chegou a ficar todo o ano de 2024 sem frequentar a escola. “Depois que as aulas voltaram, ele até estudou um tempo, mas em 2024 o mediador só chegou no finalzinho do ano, faltando 30 dias para terminar. Aí não adiantava mais levar. A dificuldade nunca foi ele querer estudar, é a escola ter um mediador”, afirmou.

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Impacto na família

A mãe do adolescente, a dona de casa Tasilma Carmo de Souza, também compartilhou as dificuldades enfrentadas pela família. Ela conta que, na ausência do profissional, é ela quem assume os cuidados do filho durante o horário escolar. “Todo ano a gente já sabe que vai faltar mediador. Este ano fui à escola, e a direção disse que ainda não contrataram, mas que seria nesta semana. Só que esse dia nunca chega. E ainda dizem que, se demorar, é para eu procurar meus direitos”, desabafou.

Tasilma destacou ainda o impacto emocional no filho, que demonstra grande vontade de estudar ao ver outras crianças indo para a escola. “Ele vê os outros indo e fica querendo ir também. Às vezes, fica com os olhos cheios de lágrimas. Quando está em casa sem mediador, nem se interessa por outras atividades, porque o que ele quer mesmo é ir para a escola”, relatou.

Contratação do mediador

A coordenadora do Núcleo de Educação do município informou que a família já foi comunicada sobre o retorno das aulas. Quanto à reposição do conteúdo perdido, a gestora afirmou que a escola já sabe como proceder nesses casos. Segundo ela, a demora ocorreu devido à falta do relatório do aluno, elaborado pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) da escola e enviado à Central da Educação Especial, onde é feita a análise e solicitação dos profissionais.

“O Pablo realmente estava sem um profissional, contudo, nós contratamos esse profissional hoje (terça-feira, 28), para iniciar o atendimento nesta quarta-feira (29). Inclusive, a escola comunicou a família dele sobre o retorno das aulas”, disse a coordenadora do núcleo.

Nota da Secretaria de Educação

A Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) emitiu nota pública informando que o atendimento especializado do estudante Pablo de Souza Araújo está em fase de regularização. Uma equipe técnica da SEE cumpre agenda presencial nesta semana no município para assegurar a assistência integral e o cumprimento das diretrizes de educação inclusiva na região. A nota é assinada pelo secretário Reginaldo Prates, em Rio Branco, em 28 de abril de 2026.

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