Uma empresa americana deu um passo ousado rumo ao turismo extraterrestre ao abrir oficialmente as reservas para o que planeja ser o primeiro hotel permanente construído na Lua. A Galactic Resource Utilization Space (GRU), sediada na Califórnia, iniciou nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, um sistema de pré-venda para garantir vagas entre os primeiros hóspedes do empreendimento lunar.
Investimento milionário e cronograma ambicioso
Para garantir uma vaga entre os pioneiros, os interessados precisam desembolsar um valor considerável. O depósito inicial exigido pela startup é de US$ 1 milhão, o que equivale a aproximadamente R$ 5 milhões na cotação atual. A empresa estabeleceu um cronograma audacioso, com o início das obras previsto para 2029 e a inauguração do hotel marcada para 2032.
No entanto, esse plano depende de um fator crucial: a obtenção de todas as autorizações regulatórias necessárias para uma operação comercial desse porte em solo lunar. A construção seguiria uma abordagem híbrida, combinando módulos habitacionais transportados da Terra com estruturas fabricadas in loco.
Tecnologia promete usar o solo lunar como material de construção
O projeto técnico do hotel lunar da GRU é um de seus pontos mais inovadores. A empresa afirma que utilizará módulos pressurizados interconectados, projetados para fornecer proteção vital contra as condições hostis do espaço, incluindo radiação e temperaturas extremas, além de manter a oxigenação adequada.
A grande aposta tecnológica, porém, está na construção. A startup desenvolveu um processo automatizado que pretende transformar o regolito lunar – a poeira e o solo que cobrem a superfície da Lua – em material de construção resistente. A GRU já divulgou imagens de protótipos de "tijolos" criados em laboratório usando material que simula o solo lunar.
A promessa é reduzir drasticamente a massa e o volume de materiais que precisariam ser lançados da Terra, um dos maiores desafios logísticos e financeiros para qualquer missão de longo prazo no satélite natural. Essa solução poderia ser um divisor de águas para a viabilidade econômica da expansão humana na Lua.
Perfil dos clientes e visão de futuro
Quem seriam os primeiros a se hospedar em um hotel na Lua? Segundo a GRU, o público-alvo inicial é composto por:
- Turistas espaciais que já tenham experiência com voos comerciais suborbitais.
- Casais de alto poder aquisitivo em busca de experiências únicas, como uma lua de mel literalmente fora deste mundo.
A empresa enxerga o turismo não como um fim, mas como um meio. Em comunicado, a startup declarou que o setor de hospedagem espacial pode ser o caminho mais rápido para estabelecer uma presença humana permanente e sustentável além da Terra.
A GRU foi fundada por Skyler Chan, engenheiro formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, que desenvolveu o conceito durante um programa de aceleração de startups. Chan alega já ter captado recursos com investidores ligados a gigantes como a SpaceX, de Elon Musk, e a Anduril, especializada em sistemas autônomos de defesa.
Em um documento técnico, a empresa descreve o hotel como apenas a primeira fase de um plano mais amplo. A visão de longo prazo inclui a expansão para outras estruturas habitacionais e o desenvolvimento de diversas atividades econômicas na Lua, pavimentando o caminho para uma verdadeira economia lunar.
O anúncio marca um momento significativo na corrida pela comercialização do espaço, transferindo o conceito de hotel lunar das páginas de ficção científica para o domínio do empreendedorismo real, ainda que enfrentando desafios regulatórios e técnicos monumentais.