Um espetáculo luminoso de tirar o fôlego, normalmente reservado aos habitantes das regiões polares da Terra, foi capturado de uma perspectiva única e privilegiada: o espaço. O astronauta japonês Kimiya Yui divulgou, na quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, um registro raro e fascinante da aurora boreal filmado diretamente a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).
O espetáculo das cortinas de luz a 400 km de altitude
O vídeo, feito em time-lapse, condensa em poucos segundos um fenômeno que se desenrola por vários minutos na realidade. A técnica permite observar com clareza a dinâmica das chamadas “cortinas de luz”, que parecem dançar sobre a curvatura do planeta. A uma altitude de aproximadamente 400 quilômetros, a visão orbital revela um arco brilhante que acompanha a forma da Terra, com brilhos esverdeados e avermelhados surgindo, se espalhando e se dissipando na atmosfera.
Essa não é apenas uma imagem bonita. O registro oferece uma visão científica privilegiada da interação entre o nosso planeta e o Sol, indo muito além do valor estético.
A ciência por trás das luzes do norte
Mas como se forma essa maravilha natural? A aurora boreal é o resultado direto de uma tempestade solar. Durante erupções em sua superfície, o Sol libera enormes quantidades de partículas carregadas de energia no espaço.
Quando essa onda de partículas atinge o campo magnético da Terra, ela é canalizada em direção aos polos do planeta. Ao colidir com gases presentes na alta atmosfera, como oxigênio e nitrogênio, essas partículas transferem energia, excitando os átomos.
Ao retornarem ao seu estado normal, os átomos emitem luz em cores específicas:
- Oxigênio: produz os tons verdes e avermelhados, os mais comuns.
- Nitrogênio: gera colorações azuladas e arroxeadas.
Por esse motivo, o fenômeno é mais frequente em regiões de alta latitude, como o norte da Europa, Canadá, Alasca e Groenlândia.
Mais que um vídeo: um laboratório orbital em ação
O local de onde o vídeo foi feito é, por si só, um marco da ciência. A Estação Espacial Internacional é um laboratório permanente em órbita, onde tripulações internacionais conduzem pesquisas cruciais.
Os experimentos realizados ali abrangem áreas como fisiologia humana, biologia, física de materiais e testes de tecnologias para futuras missões à Lua e Marte. Registros como o de Kimiya Yui têm dupla importância: divulgam a ciência para o público geral e ajudam os pesquisadores a compreender melhor a complexa relação Sol-Terra.
Essa interação não só cria belas auroras, mas também pode ter impactos práticos significativos, podendo interferir em sistemas de comunicação, redes de navegação por satélite (GPS) e até em redes elétricas em solo. Portanto, estudá-la a partir de um ponto de vista privilegiado como o da ISS é de extrema valia.
A divulgação feita pelo astronauta japonês nos lembra, mais uma vez, da beleza e da complexidade do nosso planeta visto de fora, e do papel fundamental da ciência e da exploração espacial em desvendar os mistérios do universo que nos cerca.