A Volkswagen anunciou nesta terça-feira, dia 3, a Tukan, a primeira picape da marca a chegar ao mercado brasileiro depois de quase 16 anos vendendo apenas a Saveiro e a Amarok. A revelação marca um momento histórico para a montadora, que busca renovar sua presença em um segmento crucial.
Detalhes iniciais e produção nacional
Ainda há poucas informações técnicas disponíveis, mas sabe-se que a Tukan será fabricada em São José dos Pinhais, no Paraná, com lançamento previsto para 2027. A escolha da cor de lançamento, amarelo, não foi aleatória: em 2027, o Brasil sediará a Copa do Mundo feminina, e a Volkswagen é uma das patrocinadoras oficiais da seleção brasileira, criando uma sinergia estratégica.
Configuração e diferenciais
É possível perceber que a Tukan será vendida na configuração de cabine dupla, indicada pela presença da maçaneta próxima à caixa de roda, no início da caçamba. Com isso, ela já se diferencia da configuração atualmente oferecida pela Saveiro, que, apesar de ter banco traseiro e ser chamada de cabine dupla, conta com apenas duas portas.
Investimentos e contexto regional
A chegada da Tukan faz parte de um pacote de 21 lançamentos na América do Sul anunciados desde 2024, quando a Volkswagen investiu R$ 20 bilhões na região. Foram apresentados modelos como o Tera, novas versões do Nivus, T-Cross e Amarok, além dos esportivos Golf GTI e Jetta GLI.
Resposta ao mercado e concorrência
Além disso, a Tukan é uma resposta da Volkswagen, que apresenta bons números de emplacamentos entre SUVs e hatches, mas não repete o mesmo desempenho no segmento de picapes há mais de 23 anos. A marca já havia indicado publicamente que lançaria novos modelos de picapes, e este é o primeiro deles.
Mais do que uma novidade para quem prefere picape, a Volkswagen precisa de fôlego para enfrentar o sucesso da rival Fiat Strada. O modelo é o veículo mais vendido do Brasil desde 2021, quando tomou o posto do Polo, segundo dados da Fenabrave. E a disputa vai além: a Saveiro nunca superou a Strada em toda a série histórica da Fenabrave, iniciada em 2003.
Ao longo dos anos, o modelo da Volkswagen chegou a ocupar apenas a quinta posição entre os mais vendidos do país, ficando atrás de veículos de categorias e preços superiores, como Chevrolet S10, Fiat Toro e Toyota Hilux. No ano passado, a Strada registrou mais que o dobro de emplacamentos da Saveiro, evidenciando a necessidade de uma renovação urgente.
Novo Tiguan e eletrificação
Durante o mesmo evento, a Volkswagen também indicou março como a data de lançamento de uma nova versão do Tiguan. A marca, porém, não deu detalhes sobre o SUV que, quando era vendido no Brasil, ocupava o posto de modelo mais caro e potente do catálogo.
No México, onde o Tiguan já é vendido em uma versão atualizada, há pontos relevantes para um SUV que enfrentará concorrentes chineses com preços agressivos no mercado brasileiro. O principal destaque está no interior, que segue o padrão esperado para o veículo mais caro da marca e abandona o uso de plástico rígido em muitas das partes, presentes até no Taos.
A central multimídia é grande e tem visual semelhante ao dos elétricos ID.4 e ID.Buzz, oferecidos no Brasil apenas por meio de locação. Ainda há poucas informações sobre a motorização, mas o presidente da Volkswagen, Ciro Possobom, afirmou que todos os lançamentos de 2026 terão alguma versão eletrificada.
Com isso, é possível esperar que tanto a Tukan quanto o Tiguan sejam oferecidos com motor a combustão e também em versões híbridas, alinhando-se às tendências globais de sustentabilidade e eficiência energética.



