Renault mira 50% das vendas fora da Europa até 2030 com plano futuREady
Renault mira 50% das vendas fora da Europa até 2030

Renault traça estratégia ousada para expansão global e eletrificação até 2030

A Renault revelou nesta terça-feira, dia 10, um plano estratégico ambicioso denominado futuREady, que estabelece metas audaciosas para a próxima década. A montadora francesa pretende que metade das suas vendas totais ocorra fora do continente europeu até o ano de 2030, marcando uma virada significativa em seu foco geográfico. Paralelamente, a empresa busca ampliar drasticamente a presença de modelos eletrificados em seu portfólio global, em resposta às transformações do setor automotivo.

Metas de vendas e eletrificação definem o plano futuREady

O plano detalhado pela diretoria prevê a comercialização de 2 milhões de veículos até o final desta década. Desse volume impressionante, 50% será destinado a mercados internacionais fora da Europa, reforçando a intenção de diversificação. "A Renault pretende que 100% de suas vendas na Europa sejam de veículos eletrificados e que 50% das vendas fora da Europa também sejam eletrificadas, ao mesmo tempo em que busca entregar uma rentabilidade forte e sustentável", afirmou Fabrice Cambolive, diretor executivo da Renault, durante a apresentação.

Contexto competitivo desafiador e situação no Brasil

Este reposicionamento ocorre em um cenário de concorrência cada vez mais intensa. A Renault enfrenta a pressão agressiva de fabricantes chineses, como BYD e o grupo Chery, conhecidos por preços competitivos, além de rivais tradicionais consolidados, como a Stellantis, que controla marcas icônicas como Fiat e Jeep.

No mercado brasileiro, a trajetória recente da marca francesa ilustra os desafios. A Renault perdeu quase metade da sua participação de mercado registrada antes da pandemia de Covid-19. Em 2019, a empresa representava 9% dos emplacamentos de veículos zero quilômetro no país. Atualmente, esse índice caiu para 5,1%, o que corresponde a uma queda expressiva de 43% no período. Para contrapor essa tendência e o avanço de marcas chinesas como BYD e GWM, a eletrificação da linha no Brasil já começou. O Renault Koleos se tornou o primeiro modelo híbrido da fabricante no país, com 245 cavalos de potência, lançado estrategicamente para conquistar clientes de SUVs.

Expansão de portfólio e foco internacional renovado

Alinhada à nova estratégia, a Renault planeja um lançamento massivo de 36 modelos nos próximos cinco anos. Desse total significativo, 14 veículos serão especificamente desenvolvidos para mercados fora da Europa, um número consideravelmente superior aos oito lançamentos realizados no ciclo anterior. Quatro desses novos modelos terão como destino o mercado indiano, conforme detalhado por Fabrice Cambolive. A produção do SUV compacto Bridger está programada para iniciar no próximo ano, com lançamento previsto em outros países em sequência.

Esta retomada do foco internacional representa uma nova prioridade para as vendas externas, marcando um contraste com a fase anterior. A empresa havia se retirado de diversos mercados durante a gestão do ex-presidente-executivo Luca de Meo, como parte da estratégia "Renaulution", que visava conter prejuízos financeiros significativos. "Com a Renaulution, provamos que podemos vencer, agora precisamos provar que podemos durar", declarou o atual presidente-executivo, François Provost, que substituiu de Meo no ano passado, em apresentação para analistas no centro de pesquisa da empresa nos arredores de Paris.

Análise de mercado e perspectivas futuras

Embora a Renault se encontre atualmente em uma situação financeira mais favorável, o ambiente competitivo se tornou mais acirrado. Adicionalmente, fatores externos, como a redução dos incentivos aos veículos elétricos nos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, impactaram concorrentes, causando grandes perdas financeiras e mudanças abruptas de planos.

Para Michael Foundoukidis, analista da Oddo BHF, a estratégia de priorizar modelos mais rentáveis e expandir a atuação internacional oferece um caminho mais claro para preservar a lucratividade da montadora. No entanto, ele ressalta, com cautela, que o sucesso final dependerá integralmente da capacidade da empresa em executar o plano com eficácia no longo prazo, superando os obstáculos de um setor em rápida transformação.