Toyota GR Yaris chega ao Brasil com motor 1.6 turbo mais potente do mundo
GR Yaris chega ao Brasil com motor 1.6 turbo mais potente

Toyota GR Yaris chega ao Brasil com motor 1.6 turbo mais potente do mundo

Desde 2020, os brasileiros têm demonstrado clara preferência pelos SUVs, conforme os números de emplacamentos da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No entanto, a Toyota decidiu desafiar essa lógica de mercado e apresentar o GR Yaris: um hatch de duas portas, direcionado a um público específico, com unidades inicialmente limitadas e preço inicial de R$ 354.990.

A marca aposta em um nicho bem definido: motoristas que adoram levar seus carros para pistas de terra ou asfalto e que possuem preferência por modelos de alto desempenho. O GR Yaris é o menor e mais leve veículo da Gazoo Racing, divisão da Toyota dedicada exclusivamente a modelos esportivos.

Dimensões e peso compactos

O veículo mede exatamente quatro metros de comprimento — sete centímetros a menos que o Volkswagen Polo, hatch compacto mais vendido do Brasil em 2025, segundo a Fenabrave. O peso é de 1.305 quilos na versão automática, com oito marchas, ou de 1.325 quilos na opção manual, que possui seis velocidades.

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Motor 1.6 turbo de três cilindros

O novo GR Yaris conta com um motor 1.6 turbo de três cilindros, considerado o mais potente do mundo para um conjunto produzido em série — sem modificações extras, comuns em veículos particulares de competição. São aproximadamente 100 cv por cilindro, resultando em expressivos 304 cv de potência e 40,8 kgfm de torque, sempre utilizando gasolina.

Esse desempenho coloca o hatch bem próximo à potência do motor 2.0 turbo da Ford Ranger. Enquanto na picape essa força é utilizada para mover cerca de duas toneladas e suportar carga, no GR Yaris, que pesa aproximadamente 700 quilos a menos, essa energia é direcionada à velocidade e à diversão de quem gosta de dirigir em pista.

Teste em autódromo homologado

O veículo foi testado em um autódromo de Mogi Guaçu (SP), homologado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). Com capacete e instruções de pista, ficou evidente que este é um dos hatches mais divertidos de dirigir em autódromo entre os carros vendidos prontos em concessionárias.

A primeira impressão ao assumir o volante é a de estar em um hatch comum, mas tudo muda ao acelerar com mais intensidade. Duas sensações surgem imediatamente: o isolamento acústico é mínimo, com o motor parecendo praticamente exposto à cabine, e o calor do motor também é transmitido para o interior.

Experiência de condução diferenciada

Engatada a primeira marcha, a experiência varia conforme o câmbio escolhido. No manual, as trocas durante o teste foram curtas e fáceis de engatar. O carro frequentemente sugeria subir a marcha, mesmo em situações que exigiam mais força do motor. No automático, as trocas são realizadas pelo próprio veículo, mas há também abas atrás do volante, semelhantes às usadas na Fórmula 1.

O teste foi realizado das duas maneiras: com trocas manuais pelas abas e deixando o sistema decidir sozinho. Mesmo com oito marchas, o câmbio mantinha o motor sempre em cheio nas trocas, garantindo força constante na tração integral e preservando o ronco característico do motor, sem priorizar economia de combustível.

Sistema de tração integral ajustável

Em relação à tração, o sistema nas quatro rodas permite ajustar a distribuição de força entre os eixos. Na pista, a configuração utilizada foi de 60% na dianteira e 40% na traseira, mas é possível alterar esses valores para 53% na dianteira e 47% na traseira, ou ainda variar entre 30% e 70% para a traseira.

Em ambas as opções de câmbio, a sensação foi de trocas rápidas, ainda que mais longas quando se pensa em um carro "de rua". Somando a tração integral e o torque sempre disponível, o resultado é um veículo que lembra um kart: baixo, firme e estável.

Segurança e controle em pista

Mesmo forçando bastante durante o teste no autódromo, não foi possível fazer o GR Yaris cantar pneus em curvas. É claro que, com atitudes extremas, qualquer carro pode perder o controle, mas, ao buscar um bom tempo de volta, o GR Yaris se mantém seguro e previsível.

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Para isso, o carro conta com freios de alto desempenho, todos a disco, além de uma bitola traseira mais larga — que é a distância entre os centros das rodas em um eixo. Esse conjunto garante maior controle tanto nas frenagens fortes quanto nas retomadas.

Os freios suportaram com tranquilidade a condução intensa exigida de um esportivo em pista. Mesmo após duas voltas rápidas e o retorno aos boxes, as pinças não apresentavam aquecimento excessivo — e isso em um dia com temperatura próxima dos 35 °C.

Comparação entre versões manual e automática

Após quatro voltas rápidas — duas com câmbio automático e duas com o manual — é possível afirmar com segurança que a versão automática do GR Yaris não deixa nada a desejar em relação à manual. É claro que sentir a resistência do câmbio manual, que orienta as trocas de marcha pela própria resposta da alavanca, é mais envolvente.

Ainda assim, manter as duas mãos no volante enquanto as trocas são feitas pelas abas, à moda da Fórmula 1, também agrada. Em nenhum momento foi possível perceber o GR Yaris automático como menos ágil ou agressivo.

Mas ao pensar o GR Yaris como um carro voltado principalmente à diversão — e considerando que o uso diário ficará a cargo de outro veículo — o câmbio manual surge como a melhor escolha. Já em situações de trânsito pesado, o automático se mostra mais confortável, especialmente em longos períodos de condução em baixa velocidade.

Design exterior exótico

Por fora, o GR Yaris é exótico. Na dianteira, ele tem aparência de um hatch mais agressivo, com faróis que lembram olhos furiosos e uma grande entrada de ar no radiador. O conjunto é chamativo e deixa claro que não se trata de um compacto comum.

De perfil, as pinças de freio pintadas de vermelho adicionam um toque extra de esportividade. Já na traseira, as sensações são mistas. O para-choque grande demais e as lanternas que parecem ter sido pensadas para um carro maior passam uma impressão desproporcional.

Por outro lado, chamam atenção as duas ponteiras cromadas das saídas de escapamento. Elas são reais, funcionais e contribuem para o ronco característico de um carro esportivo.

Interior simples e funcional

Por dentro, o conforto não é o ponto forte. Não por causa dos bancos em formato de concha, que seguram muito bem motorista e passageiro, mas pelo acabamento simples e pelo espaço reduzido na fileira traseira, que, com muita sorte, acomoda apenas uma criança pequena.

Outro ponto que causa estranhamento visual é o painel, que lembra o de um ônibus. Trata-se de uma grande peça de plástico, reta na vertical e levemente curvada na horizontal. Nela estão o painel digital de instrumentos e a central multimídia de oito polegadas, surpreendentemente moderna para um interior tão simples e de aparência mais antiga.

Público-alvo específico

Tudo isso seria um grande problema em um hatch comum que custa mais de R$ 350 mil, mas faz mais sentido quando se considera o público específico que a Toyota pretende atingir com este carro.

"É um cliente que gosta muito de motorsport, performance, apaixonado por automobilismo. São clientes que já conheciam a GR, até clientes novos com garagens recheadas de outros carros esportivos", disse Nancy Serapião, responsável pelas marcas Gazoo Racing e Lexus no Brasil.

"É um cliente para o track day [dia de competição em autódromo] e que também consegue usar no dia a dia. Que vai trazer mais o carro para o asfalto, do que o mato", completou Nancy.

Unidades limitadas e disponibilidade futura

Andar fora de estrada faz parte do DNA do GR Yaris, desenvolvido para que a Toyota pudesse competir no Campeonato Mundial de Rali (WRC). Ainda assim, o modelo também se sai muito bem no asfalto.

Para o lançamento e ao longo de todo o ano de 2026, a Toyota importou apenas 198 unidades do GR Yaris. Destas, 99 têm câmbio manual e outras 99 são automáticas. Mas, assim como acontece com o GR Corolla, o hatch seguirá disponível em 2027.

"Pra 2027 a gente continua trazendo esse carro, de acordo com a demanda. Porque a gente quer manter um portfólio de carros esportivos no Brasil. Então não é um único tiro, ele [o GR Yaris] vem para marcar um início", afirmou Nancy Serapião.