Fórmula 1 adota combustível 100% sustentável e maior eletrificação em 2026
F1 usa combustível sustentável e mais eletricidade em 2026

Fórmula 1 dá passo decisivo rumo à sustentabilidade em 2026

A Fórmula 1, a principal categoria do automobilismo mundial, está implementando mudanças significativas em seu regulamento técnico para a temporada de 2026, com o objetivo claro de reduzir suas emissões de carbono. As alterações incluem a adoção de um combustível 100% sustentável e uma reformulação completa das unidades de potência, que passarão a contar com uma participação ainda maior da energia elétrica. Esta iniciativa faz parte da meta ambiciosa da categoria de zerar as emissões líquidas até o ano de 2030, demonstrando um compromisso firme com a responsabilidade ambiental.

Combustível sintético revoluciona a F1

O novo combustível desenvolvido especificamente para 2026 substituirá o E10, fórmula composta por 90% de gasolina e 10% de etanol, que era utilizado desde 2022. A composição atual será produzida de forma sintética através da captura de carbono, retirada diretamente da atmosfera ou de emissões industriais, resíduos urbanos e biomassa não alimentar, ou seja, matéria orgânica que não é destinada ao consumo humano. Um porta-voz da Aramco, empresa fornecedora de lubrificantes para a equipe Aston Martin, explica que, ao contrário da gasolina convencional, que é produzida pelo refino do petróleo bruto, estes componentes são fabricados convertendo matérias-primas sustentáveis em moléculas de combustível por meio de processos químicos delicados.

Segundo a Aramco, que também produziu o combustível sustentável utilizado nas categorias de acesso F2 e F3 no ano passado, o principal desafio foi identificar componentes que atendam aos rigorosos critérios de sustentabilidade determinados pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para a F1. Cada componente pode ter seu próprio processo de produção único, adaptado à matéria-prima específica utilizada, e a mistura final de combustível deve cumprir estritamente os limites de emissões de gases de efeito estufa. Até então, o custo do combustível era contabilizado como parte do limite orçamentário que as equipes apresentavam à FIA. Com o aumento nos custos de pesquisa e produção das novas fórmulas, essa despesa deixa de integrar o teto anual de gastos, representando um investimento adicional significativo.

Eletrificação transforma a dinâmica das corridas

A categoria também está dando um destaque especial à eletrificação dos motores, que aumenta de forma significativa e passa a dividir quase igualmente a entrega de potência com o motor a combustão. O brasileiro Pietro Fittipaldi, piloto de testes da Cadillac, detalha que esta mudança impacta diretamente a pilotagem e as estratégias de corrida. Ele explica que a estratégia de como usar o acelerador e a energia ao longo da volta será muito diferente do que era no passado. Antes, aproximadamente 75% da potência vinha do motor a combustão e 25% da bateria, mas agora a divisão se aproxima de 50% a 50%.

Na prática, as equipes terão de rever completamente suas abordagens tanto para as voltas de classificação quanto para a corrida em si, já que a energia elétrica precisa ser gerenciada e recarregada de forma eficiente. Fittipaldi ressalta que isso afeta bastante a forma como o piloto conduz o carro, pois ele pode ser mais eficiente no uso de energia ao longo da volta. Durante a corrida, essa eficiência pode se acumular, dando vantagem a um piloto que seja mais inteligente na estratégia. Ele conta que já no simulador foi possível observar essas dinâmicas e começar a entender o que é mais importante para maximizar o potencial do carro.

Desafios logísticos em um calendário global

Se dentro da pista a meta é reduzir emissões e aumentar a eficiência, fora dela o desafio é logístico e considerável. A temporada de 2026 terá 24 etapas distribuídas pela América, Europa, Ásia e Oceania, mantendo o alcance global da categoria. O transporte de carros, peças, estruturas de hospitalidade e equipamentos de transmissão envolve operações aéreas e marítimas de grande escala, que impõem limites práticos à redução de emissões. Embora a F1 tenha tentado otimizar rotas, como a reorganização de etapas na América do Norte aproximando Canadá e Miami, o modelo de um calendário extenso e intercontinental continua a ser um obstáculo.

No caso específico do Autódromo de Interlagos, que receberá a 21ª etapa do calendário, a operação aérea parte do México, sede da corrida anterior. Regina Yazbek, da Célere Intralogística, empresa responsável pela operação do GP São Paulo, explica que de lá chegam oito aviões cargueiros com os materiais mais nobres, como carros e motores, no aeroporto de Viracopos, em Campinas. Para cada voo, são utilizadas entre 14 e 16 carretas, totalizando entre 115 e 120 viagens de Viracopos até Interlagos. Além da ponte aérea, há também a carga marítima, que chega cerca de três semanas antes do evento, com 600 toneladas transportadas em navios que atracam no porto de Santos, vindos de diferentes regiões como Singapura e Europa.

A abertura da temporada de 2026 será neste fim de semana, com o Grande Prêmio da Austrália. A largada está marcada para a madrugada de sábado (7) para domingo (8), às 1h no horário de Brasília. A Fórmula 1 demonstra, com estas mudanças, que está comprometida em liderar a transição para um automobilismo mais sustentável, equilibrando a emoção das corridas com a responsabilidade ambiental.