Dupla cruza África em carro de três rodas e estabelece recorde improvável
Dupla cruza África em carro de três rodas e bate recorde

Uma aventura sobre três rodas: a jornada épica de Londres à Cidade do Cabo

O que começou como uma ideia aparentemente absurda transformou-se em uma tentativa audaciosa de estabelecer um recorde mundial. Dois amigos, o inglês Oliver Jenks e o canadense Seth Scott, decidiram cruzar o continente africano dirigindo um carro antigo de apenas três rodas, partindo da capital britânica e rumando ao extremo sul da África. A proposta, nas palavras do próprio Jenks, era "tão ridícula que eu não podia dizer não", dando início a uma das viagens mais improváveis já registradas.

Sheila, o triciclo aventureiro

O veículo escolhido para a empreitada foi um Reliant Robin, modelo britânico icônico dos anos 1970, conhecido por sua simplicidade e baixa potência. Batizado carinhosamente de "Sheila, o triciclo", o carro prateado foi adquirido especialmente para a aventura. Jenks descreve o automóvel como inadequado para qualquer viagem longa: "Sem direção hidráulica, sem ar-condicionado e ruim tanto para subir quanto para descer ladeiras". Apesar das limitações, a dupla partiu em outubro, carregando combustível e suprimentos básicos no pequeno teto do veículo.

O plano ambicioso e os desafios extremos

A rota traçada cobria aproximadamente 22,5 mil quilômetros, passando por 22 países diferentes. O objetivo claro era estabelecer o recorde de maior trajeto já realizado com um veículo de três rodas. A jornada, que durou mais de quatro meses e custou entre US$ 40 mil e US$ 50 mil — com apoio de patrocinadores e financiamento coletivo —, foi documentada em uma página no Instagram que atraiu quase 100 mil seguidores, sob o título sugestivo: "14 mil milhas, 3 rodas, 0 bom senso".

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Perigos e situações de risco no caminho

A travessia pelo continente africano apresentou desafios que iam muito além das condições precárias do veículo:

  • Chegaram ao Benin durante uma tentativa de golpe de Estado.
  • Atravessaram o norte da Nigéria enquanto os Estados Unidos realizavam ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico.
  • Em Camarões, receberam escolta militar por cerca de 480 quilômetros em uma região marcada por conflitos separatistas.
  • No Congo, um ônibus quase esmagou o pequeno carro contra um penhasco, em um susto memorável no trânsito.

Problemas mecânicos e a solidariedade ao longo da rota

Os contratempos com Sheila foram constantes, exigindo improvisação e ajuda de estranhos:

  1. Nas primeiras semanas, foi necessário trocar as molas da roda.
  2. Em Gana, o câmbio quebrou, deixando o carro apenas com a quarta marcha.
  3. Em Camarões, falhas na embreagem e no distribuidor culminaram com a parada total do motor.

A viagem só pôde continuar graças à generosidade de pessoas encontradas pelo caminho. Um homem providenciou um novo câmbio em Gana, enquanto entusiastas do modelo no Reino Unido ajudaram a enviar outro motor para Camarões. Em um episódio curioso, o carro foi transportado em um caminhão de gado até uma oficina. Mecânicos locais, muitas vezes incrédulos, consertavam Sheila com ferramentas improvisadas.

Belezas naturais e a recompensa final

Nem tudo foram dificuldades. A dupla teve a oportunidade de admirar paisagens deslumbrantes, cruzando cadeias de montanhas e desertos impressionantes. Em um safári, o carro rodou ao lado de girafas, avistou rinocerontes e posou para fotos próximas a um elefante. Mais de 120 dias após a partida, Jenks e Scott finalmente chegaram à Cidade do Cabo no mês passado, mesmo com o motor dando sinais de superaquecimento no deserto da Namíbia e quase não resistindo aos últimos 1.600 quilômetros.

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O legado de uma jornada inesquecível

A história da dupla rapidamente se tornou um símbolo de persistência e determinação. Graeme Hurst, um sul-africano que acompanhou a jornada, resumiu: "É uma grande história de azarões. Tem um lado cômico, mas também muita admiração. Eles tiveram uma determinação enorme". Na África do Sul, Sheila foi exibida temporariamente em um showroom de carros de luxo, chamando mais atenção que modelos de marcas como Porsche e Mercedes — mesmo com janela quebrada, para-brisa manchado, rodas tortas e várias marcas de desgaste.

O futuro do carro já está traçado: após ser restaurado, seguirá até o Quênia, de onde será enviado de navio para a Turquia. A última etapa será o retorno ao Reino Unido, onde deve ganhar um lugar de destaque no London Transport Museum. Jenks, ao refletir sobre a experiência, confessou sentir-se vitorioso ao chegar ao destino, mas também profundamente aliviado, descrevendo a sensação como "dirigir um caixão motorizado". A aventura sobre três rodas deixou uma marca indelével, provando que mesmo os veículos mais inadequados podem realizar feitos extraordinários com coragem e perseverança.