Detento restaura Oldsmobile 1937 raro dentro de presídio no RS; só há dois no Brasil
Um automóvel raro, que é um dos únicos do seu tipo no Brasil, está em processo de restauração no Rio Grande do Sul, com um detalhe peculiar: tudo está sendo feito dentro de uma penitenciária. A reforma do Oldsmobile 1937 conversível está sendo realizada por um detento no Presídio Estadual de Arroio do Meio, localizado na Região dos Vales. Além deste exemplar, existe apenas mais um no país, que está em um museu de São Paulo.
Detalhes da restauração e experiência do apenado
O detento responsável pela restauração, que não pode ter sua identidade divulgada por questões legais, compartilhou sua experiência. "A gente demora, em média, três anos para 'fazer' um carro. Eu já estava fazendo esse carro lá fora, aí eu caí preso. Assim que eu sair da prisão, eu vou levar o carro e continuar fazendo lá fora", relatou. Ele afirmou que já restaurou mais de 10 carros antigos, incluindo modelos como Opala, Citroën, Galaxie, Landau e Corcel.
O dono do Oldsmobile é um dentista de Lajeado, e uma oficina foi montada especificamente na penitenciária para permitir a realização do serviço. "Ele mesmo [detento] fez a oficina com material que a gente utilizou na enchente. É um ofício bem específico, poucas pessoas fazem. Desde que chegou aqui, ele trabalha. Acredito que ele sai ainda neste ano com a progressão de regime", explicou o diretor da casa prisional, Antônio Thomé.
Parceria com empresas e benefícios do programa
A instalação da oficina no presídio ocorreu por meio de um termo de cooperação com o governo do Rio Grande do Sul. Através deste convênio, 45% dos detentos da casa prisional estão trabalhando. No total, são 74 presos, com 34 empregados, todos cumprindo pena em regime fechado. As empresas se instalam dentro do presídio, trazendo maquinário enquanto a instituição oferece a mão de obra.
O diretor Antônio Thomé destacou os benefícios do programa: "As ocorrências diminuem bastante. Eles não ficam o tempo todo na cela. Eles focam no trabalho. Muitos daqui podem ser absorvidos pelo mercado de trabalho lá fora, porque aprenderam um novo ofício. Eles chegaram aqui sem muita habilidade, alguns são usuários de drogas, e acabam sendo absorvidos pelo mercado de trabalho lá fora".
Os principais benefícios para os presos incluem:
- Remissão de pena
- Recebimento de salário, que pode ser repassado às famílias ou usado na cantina do presídio
- Destinação de 20% dos ganhos a um fundo de poupança, repassado ao trabalhador quando ele obtém a liberdade
Expansão do programa e outras atividades
O diretor do presídio enfatizou que a ideia é ampliar o número de vagas, com o objetivo de chegar a 90% dos apenados empregados. Um pavilhão de trabalho está sendo construído na área do presídio para que novas empresas possam se instalar. Atualmente, além da oficina de restauração, há uma empresa de calçados, uma empresa de confecção de sacolas e uma panificadora instaladas no local.
Esta iniciativa não só promove a ressocialização dos detentos, mas também contribui para a preservação de um patrimônio automobilístico raro, demonstrando como programas de trabalho dentro do sistema prisional podem gerar resultados positivos para a sociedade e para os próprios apenados.



