Tuberculose: doença milenar persiste no Brasil e no mundo, alerta livro de John Green
O autor best-seller John Green, conhecido por obras como A Culpa É das Estrelas, decidiu mergulhar em um tema pouco popular, porém urgente: a tuberculose. Em seu novo livro-reportagem "Tudo É Tuberculose", lançado pela Editora Intrínseca, Green expõe a realidade de uma doença que continua a assombrar a humanidade, com mais de 10 milhões de casos globais e 1,2 milhão de mortes anuais.
Brasil enfrenta desafios alarmantes
O Brasil contribui significativamente para essas estatísticas trágicas, com mais de 85.000 novos casos anualmente e cerca de 6.000 mortes. O país está longe de atingir as metas de controle estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevêem redução de 90% nas mortes e 80% na incidência até 2030.
"Sabemos como viver em um mundo sem tuberculose. No entanto, optamos por não viver nele", critica Green em sua obra. A doença, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, encontra terreno fértil na desigualdade social, afetando principalmente populações vulneráveis.
História de superação e realidade brasileira
Durante uma visita a Serra Leoa em 2019, Green conheceu Henry Reider, um jovem de 17 anos que aparentava ter 9 devido à tuberculose multirresistente e desnutrição. A história de Henry, que sobreviveu após três anos de hospitalização e hoje é ativista, ilustra os desafios globais da doença.
No Brasil, estima-se que 30% da população carregue o bacilo da tuberculose, embora menos de 10% desenvolvam a forma ativa da doença. Segundo a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, os principais obstáculos são:
- Falta de diagnóstico precoce
- Abandono do tratamento
- Dificuldades de acesso à assistência médica
Futuro preocupante e caminhos para solução
Um estudo da Fiocruz prevê que, em quatro anos, a taxa de incidência no Brasil será de 42 casos por 100.000 habitantes, muito acima do índice preconizado de até seis casos. "Se o Brasil quiser acabar com a tuberculose, precisa combinar política social, atenção primária e execução das estratégias que já existem", afirma o médico Bruno Bezerril, autor da pesquisa.
Henry Reider, hoje com 24 anos, resume a receita para enfrentar a doença: "Sobreviver depende de três fatores: manter o foco no tratamento, seguir as orientações médicas e não desanimar nunca". Sua história e o livro de Green servem como um alerta sobre uma das chagas mais antigas e mortais da humanidade, que exige ações urgentes e coordenadas para ser finalmente superada.



