Terceira morte de paciente renal após interdição de clínica de hemodiálise em Mossoró
Terceira morte após interdição de clínica de hemodiálise em Mossoró

Terceira morte de paciente renal após interdição de clínica de hemodiálise em Mossoró

Uma terceira paciente do Centro de Diálise de Mossoró, no Rio Grande do Norte, faleceu nesta quarta-feira (26), em Grossos, na Região Costa Branca. A morte ocorre após a unidade ter suspendido suas atividades na terça-feira (24) devido a duas outras mortes registradas dentro da clínica.

Detalhes do caso

Marivânia Freire Mendonça, de 36 anos, era paciente renal crônica e não realizava sessões de hemodiálise desde a semana passada. Segundo informações da família, ela não conseguiu fazer o procedimento na terça-feira devido à interdição da clínica, que atende 224 pacientes, sendo 208 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 16 por convênios particulares.

Diferente das outras duas vítimas, Marivânia não morreu na clínica. A mulher passou mal em casa, em Grossos, por volta das 12h de quarta-feira, procurou uma unidade de saúde e foi levada de ambulância para o Hospital Municipal Flaviana Jacinta.

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Quadro clínico e óbito

De acordo com a prefeitura de Grossos, Marivânia chegou ao hospital com quadro de dispneia (falta de ar) importante, saturação de oxigênio em 89% e pressão arterial elevada. Ela teria alegado que estava há quatro dias sem realizar as sessões de hemodiálise, embora sua rotina normal fosse de três sessões semanais.

O marido dela, Franciélio Gertrudes de Farias, relatou que a esposa apresentou sintomas de inchaço após não realizar a hemodiálise no dia anterior. "Ela chegou em casa já toda inchada. Chegou com muito líquido. Eu vi que a cara dela estava muito inchada. Ela ficou sofrendo de um dia para o outro e começou a inchar cada vez mais", contou.

No hospital, seu quadro clínico piorou, sendo necessária a entubação. A pressão arterial permaneceu alta apesar das intervenções médicas. "No momento em que estava sendo preparada para transferência a uma unidade de maior complexidade, a paciente evoluiu com parada cardiorrespiratória. Foram iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar por aproximadamente 45 minutos, porém sem êxito, sendo constatado o óbito", informou a prefeitura.

Contexto das outras mortes

O Centro de Diálise de Mossoró interrompeu os atendimentos na terça-feira após duas pacientes - ambas de Assú - morrerem na unidade: Raquel Ferreira da Silva Cabral, de 54 anos; e Iraci Inácio de Lima, de 75 anos.

Os casos estão sendo investigados pela Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte e pela Polícia Civil. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) interditou a unidade "até que os fatos sejam apurados e a segurança dos pacientes garantida".

Explicação da clínica e investigações

Em nota, o Centro de Diálise de Mossoró informou que o equipamento responsável pelo sistema de osmose apresentou uma intercorrência técnica que comprometeu seu funcionamento. "Diante dessa situação, e em estrita observância aos protocolos de segurança assistencial, foi necessária a paralisação temporária das atividades, como medida preventiva para garantir a integridade e o bem-estar de nossos pacientes".

A clínica passou por vistoria das Vigilâncias Sanitárias do estado e do município nesta quinta-feira (26). A Polícia Científica também realizou perícia no local na quarta-feira e recolheu um filtro com material biológico de uma das pacientes que será analisado para apontar possível contaminação.

Em outra frente de investigação, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern) realizou uma vistoria de aproximadamente duas horas e coletou dados que deverão compor um relatório técnico.

Realocação dos pacientes

A Sesap informou que, após a interdição da unidade, procedeu o contato com outras clínicas, a regulação das vagas e reorganização de onde os pacientes seriam atendidos na quarta-feira. "As listas com os nomes foram encaminhadas a todos os municípios, que são os responsáveis por entrar em contato e coordenar o encaminhamento dos pacientes, bem como o transporte de todos", informou a pasta.

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Os pacientes atingidos pela paralisação do Centro de Diálise de Mossoró foram todos realocados em clínicas de Mossoró, Caicó e Natal. Na noite de quarta-feira, 104 pacientes foram atendidos nas três cidades, "priorizando os que tiveram seu procedimento paralisado ainda na terça-feira por conta do fechamento da clínica". Outros 94 pacientes começaram a ser atendidos nesta quinta-feira, durante os turnos da manhã e da tarde.

Medidas de controle de qualidade

Sobre uma possível contaminação da água, o Centro de Diálise de Mossoró informou que adota "rigorosos padrões de controle de qualidade", realizando "análises laboratoriais diárias por profissionais bioquímicos qualificados, além de monitoramento mensal por laboratório terceirizado". Segundo a clínica, todos os laudos são encaminhados mensalmente à Vigilância Sanitária, atendendo integralmente às normas vigentes.

A Vigilância Sanitária de Mossoró informou que analisou documentações e fluxos da unidade e que apura todo contexto para identificar possíveis causas do que ocorreu. A unidade onde ocorreram os atendimentos passa por obras, com revestimento de corredores, devido à presença de salitre, mas segundo a Vigilância Sanitária, não há intervenções nas salas onde são realizados os procedimentos de diálise.