São Paulo confirma primeiro caso importado de sarampo de 2026 em bebê de seis meses
O estado de São Paulo registrou nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, o primeiro caso importado de sarampo do ano, confirmado por testes laboratoriais em uma menina de apenas seis meses de vida. A criança possui histórico de viagem para a Bolívia em janeiro deste ano, e a notificação foi feita à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo no mês passado, desencadeando um alerta epidemiológico imediato.
Detalhes do caso e ações de controle
A paciente não tinha histórico de vacinação contra o sarampo, o que é esperado, já que a campanha regular de imunização se inicia apenas aos doze meses de idade. Em situações de risco elevado, como esta, é possível administrar a chamada "dose zero", que não substitui o calendário vacinal padrão, mas oferece proteção emergencial.
Diante do episódio, o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo emitiu um alerta rigoroso sobre a doença, altamente contagiosa. "Sempre que há um caso importado, muitas ações são desencadeadas, incluindo bloqueio dos contactantes, avaliação da situação vacinal, busca ativa na vizinhança para identificar pessoas não vacinadas e oferecer vacina, além da testagem e isolamento dos casos confirmados", explicou o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Contexto epidemiológico e riscos da doença
O sarampo continua em circulação nas Américas, com a região perdendo o certificado de eliminação da doença no fim do ano passado, conforme informou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O último boletim da entidade, divulgado em fevereiro, indica que foram confirmados 1.031 casos de sarampo em sete países, incluindo México, Estados Unidos, Canadá, Guatemala, Bolívia, Chile e Uruguai. Este total representa um aumento alarmante de 43 vezes em comparação aos 23 casos notificados no mesmo período de 2025.
A doença, causada por vírus, manifesta-se com manchas vermelhas no corpo, febre alta, tosse seca, irritação nos olhos, mal-estar intenso e sintomas respiratórios. Pneumonia, encefalite e morte são os desfechos mais graves, com estimativas indicando que, em surtos, uma pessoa morre a cada mil casos. Além disso, o sarampo provoca uma depressão imunológica temporária, deixando os indivíduos mais suscetíveis a outras infecções por três a seis meses após o quadro agudo.
Vacinação como principal prevenção
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reforça que monitora continuamente o cenário epidemiológico e destaca que a vacinação é a principal forma de prevenção. No Brasil, a vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo o calendário abaixo:
- Crianças de 6 a 11 meses: Dose zero, indicada apenas em situações de risco aumentado de exposição ao vírus.
- Crianças a partir de 12 meses: Primeira dose aos 12 meses (tríplice viral) e segunda dose aos 15 meses (tetraviral ou tríplice viral + varicela).
- Pessoas de 5 a 29 anos: Devem iniciar ou completar o esquema de duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias.
- Pessoas de 30 a 59 anos: Devem receber uma dose da tríplice viral caso não haja comprovação de vacinação anterior.
Com um indivíduo infectado capaz de transmitir a doença para até 18 pessoas, conforme dados da Opas, a imunização em massa é crucial para evitar surtos, especialmente entre populações vulneráveis, como crianças menores de um ano.



