O CEO da Microsoft, Satya Nadella, foi convocado a depor nesta segunda-feira (11) no julgamento nos Estados Unidos contra a OpenAI. O objetivo é esclarecer se a Microsoft financiou a transformação da desenvolvedora do ChatGPT em uma gigante da inteligência artificial com fins lucrativos.
Depoimento de Nadella e de Sam Altman
O depoimento de Nadella precede o do CEO da OpenAI, Sam Altman, cujo interrogatório, provavelmente na terça ou quarta-feira, será uma das etapas finais do julgamento diante de um júri federal na Califórnia. Elon Musk processou a OpenAI, acusando a empresa de trair sua missão original e de desviar suas doações, de 38 milhões de dólares (cerca de R$ 188,9 milhões), para construir um império avaliado em mais de 850 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 4,23 trilhões).
Disputas internas e exigências de Musk
O processo expôs disputas internas entre engenheiros, investidores e executivos do Vale do Silício nos anos anteriores ao lançamento do ChatGPT, em 2022. O fundador da Tesla e da SpaceX exige que a OpenAI retorne ao seu status original de organização sem fins lucrativos. Se isso acontecer, a medida afetaria sua posição na corrida global de inteligência artificial contra Anthropic, Google e a chinesa DeepSeek. A OpenAI afirma que Musk se retirou voluntariamente após não conseguir o controle majoritário da empresa. Depois, ele se tornou concorrente direto da companhia por meio da xAI, com a qual desenvolveu a IA Grok.
Decisão judicial e impacto financeiro
A juíza Yvonne González Rogers dará a decisão definitiva sobre a responsabilidade e eventuais indenizações, após o veredicto de um júri consultivo. Se ela decidir a favor de Musk, a abertura de capital da OpenAI, planejada para este ano, ficaria em dúvida.
Investimentos da Microsoft na OpenAI
Nesta segunda-feira, os advogados de Musk tentarão convencer o júri de que a Microsoft, ao investir na OpenAI em 2019, sabia que contribuía para desviar uma fundação sem fins lucrativos de seu propósito original. Para isso, usarão e-mails da Microsoft de 2018, revelados recentemente, para demonstrar que a gigante de tecnologia só investiu quando vislumbrou a possibilidade de obter retornos. Nos e-mails, Nadella consultou seus executivos sobre um desconto concedido à OpenAI para usar a potência computacional do Azure, plataforma de computação em nuvem da Microsoft.
“Em geral, não sei que pesquisa eles estão conduzindo nem como, se a compartilhassem conosco, ela poderia nos ajudar a avançar”, escreveu Nadella. Naquele momento, predominava o ceticismo, e o diretor de tecnologia da Microsoft, Kevin Scott, temia que a OpenAI pudesse “ir irritada para a Amazon”. Em 2019, um ano e meio depois de ter virado as costas para a startup, a Microsoft finalmente investiu 1 bilhão de dólares (cerca de R$ 4,97 bilhões). No fim, injetaria um total de 13 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 64,62 bilhões), uma participação agora avaliada em 228 bilhões de dólares (cerca de R$ 1,13 trilhão).



