Sergipe lidera queda no fornecimento diário de água no Brasil em uma década
Sergipe lidera queda no fornecimento diário de água no Brasil

Um levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou uma situação preocupante no abastecimento de água em Sergipe. O estado liderou a queda no fornecimento diário de água no Brasil nos últimos dez anos, segundo dados do suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) de 2025, divulgados nesta sexta-feira (17).

Queda acentuada no abastecimento regular

Os números são alarmantes: em 2025, apenas 64,8% dos domicílios sergipanos conectados à rede recebiam água todos os dias. Uma década antes, em 2016, esse percentual era significativamente maior, atingindo 81,6% das residências. Essa redução de 16,8 pontos percentuais coloca Sergipe como o terceiro estado com o menor percentual de disponibilidade regular de água em todo o território nacional.

Fatores que explicam o problema

William Araújo Kratochwill, analista do IBGE, apontou que o descompasso entre o ritmo das construções e a expansão da infraestrutura de rede contribui para o agravamento da situação. "O número total de domicílios aumenta ano a ano. Eles podem estar sendo construídos em um local onde não há rede", explicou o especialista, destacando a dificuldade de acompanhar o crescimento urbano com investimentos em saneamento básico.

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Situação na capital Aracaju

Na capital sergipana, Aracaju, o cenário é um pouco melhor, mas ainda assim preocupante. A pesquisa indica que 85,2% dos lares têm água disponível diariamente, posicionando a cidade na 20ª colocação entre as 27 capitais brasileiras. No contexto regional do Nordeste, Aracaju aparece à frente de outras capitais como Maceió (84%), São Luís (69%) e Recife (68,6%), mas ainda abaixo da média desejável para um serviço essencial.

O governo de Sergipe foi contatado para se manifestar sobre os dados, mas até o momento não emitiu nenhum posicionamento oficial sobre as causas ou possíveis soluções para o problema de abastecimento hídrico no estado.

Contraste com a melhora na coleta de lixo

Em um contraste interessante, a mesma pesquisa do IBGE revelou que Sergipe foi o estado com a maior expansão proporcional do serviço de coleta de lixo entre 2016 e 2025. No início da série histórica, apenas 68,3% dos dejetos eram coletados diretamente por serviços de limpeza. Em 2025, esse número saltou para 90,6% dos domicílios sergipanos, representando um avanço impressionante de 22,3 pontos percentuais.

Esse crescimento corresponde a aproximadamente 779 mil residências atendidas pelo serviço de coleta de lixo, demonstrando que, enquanto o estado enfrenta desafios no abastecimento de água, conseguiu avanços significativos em outro aspecto crucial do saneamento básico.

Implicações para a população

A falta de água diária afeta diretamente a qualidade de vida dos sergipanos, impactando atividades cotidianas como:

  • Higiene pessoal e doméstica
  • Preparação de alimentos
  • Consumo direto
  • Atividades econômicas que dependem do recurso

Os dados do IBGE servem como um alerta para a necessidade de investimentos urgentes em infraestrutura hídrica, garantindo que o crescimento urbano seja acompanhado pela expansão adequada dos serviços essenciais à população.

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