Ribeirão Preto implementa proteção permanente contra vírus respiratório em recém-nascidos vulneráveis
A Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, deu início a uma medida permanente de saúde pública que promete revolucionar a proteção de bebês e crianças contra infecções respiratórias graves. A partir de agora, está sendo oferecido o anticorpo monoclonal Nirsevimabe, desenvolvido especificamente para combater o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que representa uma ameaça significativa para a população infantil.
Foco nos grupos mais vulneráveis
A estratégia tem como público-alvo principal os recém-nascidos prematuros e crianças pequenas que apresentam comorbidades, considerados os mais suscetíveis a desenvolver complicações respiratórias sérias. Conforme estabelecido pela secretaria, a aplicação do imunobiológico está sendo destinada a:
- Bebês prematuros nascidos com até 36 semanas e seis dias de gestação
- Crianças de até 23 meses de idade que possuam condições médicas preexistentes
Segundo explicou a subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi, trata-se de uma intervenção distinta das vacinas tradicionais. "Esse novo produto, na verdade, está sendo chamado de vacina, mas na verdade é uma proteção, mas já é um anticorpo pronto. Então, o que os bebês estão recebendo não é a vacina como a gestante recebe, mas sim o anticorpo pronto, a defesa pronta", esclareceu a autoridade sanitária.
Proteção imediata na temporada de maior risco
Romanholi destacou a importância do momento da implementação, que coincide com o período de sazonalidade do VSR, que se estende de fevereiro até agosto. "É um produto de muita importância para proteger os bebês, principalmente agora, que nós já vamos adentrar a sazonalidade do vírus sincicial", afirmou.
A iniciativa representa um avanço significativo no combate às síndromes respiratórias, que figuram entre as principais causas de hospitalização de crianças pequenas no município. No ano anterior, conforme dados apresentados pela subsecretária, 142 casos de síndromes respiratórias foram atribuídos especificamente à infecção pelo VSR.
Alívio para famílias de prematuros
A medida tem sido recebida com grande alívio pelas famílias de bebês prematuros, que enfrentam preocupações constantes com a saúde respiratória de seus filhos. Priscila Caetano Rodrigues, mãe do pequeno Samuel que nasceu com 35 semanas de gestação, compartilhou sua experiência positiva após o filho receber o anticorpo aos 23 dias de vida.
"O Samuel nasceu de 35 semanas, então pra gente é um motivo de orgulho, de estar fazendo parte dessa imunização e de alívio também, porque agora aumenta os casos de bronquiolite, né, e poder fazer essa vacina no SUS pra gente é muito bom", comentou a mãe, referindo-se ao acesso gratuito pelo Sistema Único de Saúde.
Locais de aplicação e requisitos
A aplicação do Nirsevimabe está sendo realizada em dois contextos principais:
- Nas maternidades com Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do SUS, enquanto o bebê ainda se encontra internado
- Na Unidade Básica de Distrito de Saúde (UBDS) Castelo Branco, localizada na Rua Dom Luiz do Amaral Mousinhom, número 3.300
Para crianças que já receberam alta hospitalar, a aplicação ocorre exclusivamente na UBDS Castelo Branco. Luzia Romanholi esclareceu que não é necessário agendamento prévio, mas é obrigatória a apresentação de relatório médico que indique a necessidade do anticorpo.
"É muito importante reforçar que, para as crianças chegarem até esse momento da aplicação, nós temos um período anterior, que é, por exemplo, a indicação do médico daquelas crianças que são menores de dois anos e que têm as comorbidades, então é importante esse pedido médico", explicou a subsecretária.
Impacto na saúde pública municipal
A implementação permanente desta estratégia de imunização representa um marco na saúde pública de Ribeirão Preto, demonstrando um compromisso proativo com a proteção dos cidadãos mais vulneráveis. Ao oferecer uma defesa imediata contra um vírus que tradicionalmente causa significativa morbidade infantil, a prefeitura busca reduzir não apenas o sofrimento das famílias, mas também a pressão sobre o sistema de saúde durante os meses de maior circulação viral.
A medida se alinha com as melhores práticas em saúde preventiva e destaca a importância de intervenções direcionadas para populações específicas que enfrentam riscos elevados de complicações de saúde.



