O Hospital Regional do Baixo Amazonas Dr. Waldemar Penna (HRBA), localizado em Santarém, no oeste do estado do Pará, realizou na terça-feira, dia 10 de dezembro, um procedimento médico de extrema importância para a saúde pública da região. A unidade hospitalar, que é referência no serviço desde sua habilitação pelo Ministério da Saúde em 2012, conseguiu realizar a captação de quatro órgãos vitais: dois rins e duas córneas. Este evento marca a primeira captação registrada pelo hospital no ano de 2026, demonstrando a continuidade do trabalho especializado que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos.
Autorização familiar e processo de doação
A doação dos órgãos foi autorizada pela família de um jovem de 21 anos, natural do município de Alenquer, também situado no oeste paraense. A decisão ocorreu após a confirmação médica do diagnóstico de morte encefálica, um estado irreversível caracterizado pela parada definitiva das funções cerebrais. No Brasil, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora, a retirada de órgãos só pode ser realizada após a autorização expressa dos familiares, um protocolo que respeita os aspectos legais e emocionais envolvidos.
Após a autorização, a equipe médica do hospital executou o procedimento de captação com precisão e cuidado, seguindo todos os protocolos estabelecidos. Os órgãos foram imediatamente encaminhados para a Central Estadual de Transplantes do Pará (CET-PA), órgão responsável pela distribuição equitativa para pacientes que aguardam na lista de espera por transplantes. Este sistema garante que os órgãos cheguem aos receptores mais compatíveis e necessitados, otimizando as chances de sucesso dos tratamentos.
Impacto na vida dos pacientes
O chefe da equipe de Cirurgia Geral e vice-diretor clínico do hospital, Alberto Mariano Gusmão Tolentino, destacou com emoção a importância fundamental desta doação para pacientes que dependem de tratamentos contínuos como a hemodiálise. "Ficamos muito felizes em fazer essa primeira captação do ano na nossa cidade. Pretendemos que sejam muitas outras, para retirar cada vez mais pacientes das máquinas de hemodiálise. Captamos dois rins e duas córneas, ajudando duas pessoas a saírem da máquina", afirmou o médico, ressaltando como cada doação pode transformar vidas e reduzir a carga de tratamentos extenuantes.
Desde que foi habilitado em 2012, o hospital já registrou a captação de 201 órgãos, distribuídos em 56 procedimentos distintos. O balanço histórico inclui 105 rins, 79 córneas, 13 fígados e quatro corações, números que evidenciam a capacidade e o compromisso da instituição com a saúde da população. A unidade conta com a atuação especializada da Organização de Procura de Órgãos Tapajós (OPO Tapajós), uma equipe composta atualmente por um médico, dois enfermeiros e um assistente administrativo, que trabalha incansavelmente na identificação de potenciais doadores, no apoio ao diagnóstico de morte encefálica e no acolhimento das famílias durante todo o processo de autorização.
Conscientização e estrutura hospitalar
Além das captações, o hospital promove regularmente ações de conscientização para incentivar a doação de órgãos e informar a população sobre a importância desse gesto solidário. O enfermeiro da OPO Tapajós, Fábio dos Santos, enfatizou que a decisão das famílias é um elemento crucial para salvar outras vidas. "Antes de alguém deixar de fazer hemodiálise porque recebeu um órgão, existe a decisão da família de doar, mesmo em um momento de dor", explicou, destacando a coragem e a generosidade envolvidas nesses momentos difíceis.
O hospital também se consolida como referência na realização de transplantes renais, tendo executado 138 procedimentos desde 2016. Desse total, 54 foram de doadores vivos, geralmente parentes dos pacientes, e outros 84 de doadores falecidos, demonstrando a diversidade de fontes de órgãos e a eficácia do sistema. Segundo o diretor-geral da unidade, Matheus Coutinho, o hospital possui estrutura física e equipe médica especializada para realizar tanto as captações quanto os transplantes com alta complexidade. "Temos uma equipe médica preparada para esses procedimentos de alta complexidade e contamos com a OPO para identificar doadores e orientar as famílias sobre todo o processo", afirmou, reforçando a excelência do serviço oferecido.
Este caso em Santarém serve como um exemplo inspirador de como a doação de órgãos pode salvar vidas e melhorar a qualidade de vida de pacientes em tratamento. A continuidade dessas captações é essencial para reduzir as listas de espera e oferecer esperança a centenas de pessoas que dependem de transplantes para sobreviver com dignidade e saúde.
