Reino Unido aprova pílula não hormonal para tratar ondas de calor da menopausa
O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) aprovou, nesta quarta-feira, 11 de março de 2026, um novo medicamento oral não hormonal chamado fezolinetante, comercializado como Veozah. Desenvolvido pela farmacêutica japonesa Astellas, o remédio é destinado especificamente ao tratamento das ondas de calor e suores noturnos associados à menopausa. No Brasil, onde a terapia de reposição hormonal é a principal opção para esses sintomas vasomotores, o fármaco aguarda a avaliação final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser disponibilizado.
Como funciona o fezolinetante
O fezolinetante é um comprimido de uso diário que atua diretamente no centro termorregulador do hipotálamo, região do cérebro responsável por controlar a temperatura corporal. Segundo a ginecologista Thaís Ushikusa, diretora de Assuntos Médicos da Astellas no Brasil, com a queda do estrogênio na menopausa, ocorre um desequilíbrio nesse sistema, permitindo que a substância neurocinina B se ligue a receptores e desencadeie os fogachos. "Nossa medicação impede essa ligação, reduzindo os sintomas de forma inovadora", explica Ushikusa, destacando que é o primeiro medicamento com esse mecanismo de ação.
Resultados positivos em estudos
Um estudo de vida real, denominado OPTION-VMS, envolvendo mais de 900 mulheres entre 40 e 75 anos, mostrou que o fezolinetante foi eficaz na redução de ondas de calor e suores noturnos de intensidade moderada a intensa. Após 12 semanas de uso, os pesquisadores observaram:
- Melhora na qualidade do sono, com menos despertares noturnos e descanso mais reparador.
- Queda de quase 30% nas perdas de produtividade no trabalho devido aos sintomas.
- Redução de cerca de 20% nas limitações para atividades diárias, incluindo fora do ambiente profissional.
Esses dados foram apresentados em congressos e reforçam a eficácia do tratamento não hormonal.
Público-alvo e impacto no Brasil
O fezolinetante é indicado para mulheres na transição menopausal ou pós-menopausa que sofrem com sintomas vasomotores moderados a intensos. Ele serve como alternativa para pacientes que não podem ou não obtiveram sucesso com a reposição hormonal, devido a contraindicações de saúde ou falta de eficácia. Ushikusa ressalta que, no Brasil, pesquisas indicam que 43% das mulheres não recebem tratamento adequado para esses incômodos, mesmo ao buscar ajuda médica. "Um tratamento não hormonal é uma inovação muito aguardada por médicos e mulheres nessa fase", afirma, enfatizando a necessidade de mais opções terapêuticas.
Enquanto o Reino Unido já incorpora o Veozah ao seu sistema de saúde, a aprovação pela Anvisa no Brasil é aguardada com expectativa, podendo representar um avanço significativo no cuidado com a saúde feminina durante a menopausa.



