Piracicaba inaugura ambulatório de cuidados paliativos e epilepsia na rede pública de saúde
Piracicaba inaugura ambulatórios de cuidados paliativos e epilepsia

Piracicaba inaugura serviços especializados de saúde na rede pública municipal

A cidade de Piracicaba, localizada no interior do estado de São Paulo, deu um importante passo na ampliação da assistência médica pública ao inaugurar, nesta semana, um ambulatório especializado em cuidados paliativos. O serviço está disponível no Centro Integrado de Saúde da Universidade Anhembi Morumbi (CIS-UAM), situado na Rua Silva Jardim, 1700, no bairro Alto, e atende exclusivamente pacientes encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Foco no controle de sintomas e qualidade de vida

De acordo com informações da prefeitura municipal, o novo ambulatório de cuidados paliativos tem como objetivo principal atender pessoas que enfrentam doenças graves e ameaçadoras à vida, incluindo aquelas sem possibilidade de cura. O foco do trabalho está no controle eficaz de sintomas, na redução significativa do sofrimento e na melhoria contínua da qualidade de vida ao longo de toda a trajetória da doença.

Em paralelo a essa iniciativa, na mesma sexta-feira (27), a administração municipal também inaugurou no mesmo centro de saúde um Ambulatório de Epilepsia, ampliando ainda mais o leque de serviços especializados disponíveis para a população através da rede pública de saúde.

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História real ilustra importância dos cuidados paliativos

A relevância desses serviços fica evidente na história do executivo do setor imobiliário Wellington Melo Heiden, que em 2022 recebeu o diagnóstico de câncer colorretal em estágio avançado. Após passar por cirurgia, ele enfrentou complicações durante a quimioterapia, incluindo uma trombose extensa que se estendia da veia cava até sua panturrilha.

"Eu fiquei sete dias internado tomando três injeções na barriga por dia. O médico me deu um ano e meio de vida, no máximo", relata Wellington, que atualmente é paciente de cuidados paliativos e encontrou nesse acompanhamento uma nova perspectiva sobre a vida. "Comecei a ver a vida e o mundo de outra forma. Tenho um neto de 10 anos que é minha inspiração", compartilha emocionado.

Abordagem preventiva e integrada

A médica paliativista Samantha Nikolaides Balloni esclarece que o acompanhamento em cuidados paliativos não se restringe apenas aos momentos finais da vida. "O mais importante é que a gente não está vendo esses pacientes só na finitude. A gente entende que pode ajudar ele durante toda a trajetória da doença", explica a especialista.

Segundo ela, desde o diagnóstico inicial é possível ter uma ideia mais clara de como as doenças vão se comportar ao longo do tempo, permitindo um planejamento mais adequado. "E se a gente está junto antes, a gente consegue pensar nos melhores caminhos", complementa a médica.

Como funciona o acesso aos serviços

O acesso ao ambulatório de cuidados paliativos ocorre exclusivamente através de encaminhamento da rede municipal de saúde, principalmente a partir das unidades de Atenção Primária. Após a avaliação inicial, o agendamento é realizado pela Central de Regulação da prefeitura de Piracicaba.

A administração municipal destaca que a proposta é estruturar um modelo ambulatorial completamente integrado à rede pública, ampliando o acesso precoce aos cuidados paliativos e evitando internações hospitalares que poderiam ser reduzidas com um acompanhamento adequado e contínuo.

Vale ressaltar que os cuidados paliativos são indicados desde o diagnóstico inicial de doenças graves e podem ocorrer simultaneamente a tratamentos convencionais como quimioterapia ou outras terapias. Além do paciente, o atendimento também envolve ativamente os familiares, oferecendo suporte integral durante todo o processo.

Dados reforçam necessidade dos serviços

Segundo informações da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, somente em 2025 foram realizados 12.907 atendimentos de cuidados paliativos em todo o território paulista, número que evidencia a crescente demanda por esse tipo de assistência especializada na saúde pública.

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Para pacientes como Wellington, o acompanhamento em cuidados paliativos representa muito mais que um tratamento médico - significa uma nova forma de encarar a existência. "Eu penso nele todas as vezes que eu levanto, falo assim, eu quero ver ele crescer. Passar um pouquinho da minha vida para ele", diz referindo-se ao neto que se tornou sua maior motivação.