MP-AC instaura investigação criminal após morte de idosa em hospital de Rio Branco
O Ministério Público do Acre (MP-AC) deu início a um novo procedimento de investigação criminal para apurar a morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gomes de Souza, de 84 anos, ocorrida no dia 22 de janeiro. A promotoria vai ouvir médicos e profissionais de enfermagem que atuaram no atendimento da idosa em um hospital da Unimed, em Rio Branco, considerando documentos médicos já analisados, como prontuários e a certidão de óbito.
Detalhes do caso e acusações de negligência
Segundo a certidão de óbito, a causa da morte foi uma alteração no equilíbrio de sais no organismo, relacionada ao excesso de sódio. O filho de Nadir, Sérgio Roberto Gomes de Souza, acusa a Unimed de negligência médica, alegando que houve um erro na reposição de sódio aplicada à mãe. Ele relatou que, após a aplicação, a idosa teve piora no quadro, levando a família a mudá-la de unidade hospitalar, onde ela veio a falecer.
"Ela tinha uma concentração de 115mEq/L, abaixo da média indicada de 136, como comprovado nos exames. Fez a primeira parte da reposição, mas na segunda, a infusão que era para durar mais oito horas foi aplicada em 1h30. Laudos apontam que minha mãe faleceu por excesso de sódio no organismo", afirmou Sérgio Roberto.
Investigação e possibilidade de homicídio
O promotor Ildon Maximiano Peres Neto destacou que, neste momento inicial, não é possível afastar a hipótese de homicídio. Além disso, em 27 de janeiro, o MP já havia instaurado um procedimento para apurar suspeita de possível erro médico, causado pelo excesso na reposição de sódio durante a internação da idosa, após a repercussão do caso.
Como primeiras medidas, o MP determinou:
- Solicitação de laudo cadavérico indireto ao Instituto Médico-Legal (IML), com base nos documentos médicos já existentes;
- Oitiva do médico contratado pela família para acompanhar o caso;
- Depoimentos de médicos e profissionais de enfermagem que participaram do atendimento;
- Pedido à Unimed para identificação completa de um enfermeiro citado em relatório interno;
- Levantamento de informações sobre possíveis outros casos semelhantes.
Sequência dos eventos e piora do quadro clínico
Nadir Nazaré foi internada no dia 11 de janeiro para tratar um problema de artrose. Após a recomendação de reposição de sódio, o filho alegou que a falta de monitoramento adequado contribuiu para a morte. Exames atestaram que o coração da idosa chegou a marcar 178 batimentos por minuto, levando a uma primeira parada cardíaca e internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde foi intubada.
Com a piora, a família decidiu transferi-la para outras duas unidades hospitalares. No segundo local, após sair da Unimed, ela sofreu a segunda parada cardíaca e faleceu. "Entrou para fazer uma infusão de sódio que não teve nenhum monitoramento e terminou dentro de um caixão", lamentou o filho.
Posicionamento da Unimed e próximos passos
Procurada pela Rede Amazônica, a Unimed informou que está inteiramente à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. O hospital havia dito anteriormente que não comentaria sobre o caso. A investigação continua, com o MP-AC buscando esclarecer as circunstâncias da morte e possíveis responsabilidades.



