Minas Gerais inicia aplicação de vacina contra chikungunya do Instituto Butantan
O estado de Minas Gerais deu início à aplicação da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan, marcando um avanço significativo na saúde pública brasileira. A vacinação começou com uma dose única, carregada de expectativas para combater uma doença que tem causado sérios impactos na população.
Primeira dose aplicada em Sabará
O publicitário Luiz Felipe Motta foi o primeiro a receber a vacina contra a chikungunya no posto de saúde de Sabará, localizada na Grande Belo Horizonte. Emocionado, ele compartilhou sua motivação: "Minha mãe que teve chikungunya, tem até hoje as dores no corpo". Esse relato pessoal destaca a importância da imunização para prevenir os efeitos debilitantes da doença.
Desenvolvimento e aprovação da vacina
O Instituto Butantan desenvolveu o imunizante em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva. A Anvisa aprovou a vacina em 2025, e ela agora integra um projeto piloto que abrange dez cidades em todo o país. O programa inclui municípios do Ceará, de Sergipe, do interior de São Paulo e de quatro cidades mineiras, visando testar a eficácia em diferentes contextos regionais.
Público-alvo e objetivos do estudo
A vacina contra chikungunya é destinada a adultos de 18 a 59 anos sem imunodeficiência, ou seja, doenças que enfraquecem o sistema de defesa do corpo. Além de proteger os indivíduos vacinados, o estudo também monitorará as cidades participantes para avaliar, na prática, se a vacinação em massa reduz a circulação do vírus. Fernanda Boulos, diretora médica do Instituto Butantan, explica: "É uma vacina aprovada que teve sua eficácia e sua segurança comprovadas em diversos estágios de desenvolvimento, e a gente está aqui agora gerando um dado complementar, que é a utilização em vida real".
Contexto epidemiológico e importância da prevenção
Em 2025, o Brasil registrou quase 130 mil casos prováveis de chikungunya e 121 mortes. Já em 2026, os números preliminares apontam mais de 8 mil casos e uma morte confirmada. O infectologista Unaí Tupinambás alerta sobre os graves efeitos da doença: "A pessoa pode ficar incapacitada, pode ficar na cama, cadeira de rodas, com dor crônica, levando à depressão". Ele enfatiza que, enquanto a vacina não está disponível para todos, é crucial manter medidas preventivas: "eliminar os criadouros do Aedes aegypti. Porque você eliminando o mosquito, você evita três doenças: a chikungunya, a dengue e a zika".
Impacto e perspectivas futuras
A iniciativa em Minas Gerais representa um passo importante no combate à chikungunya, uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti que pode causar dores intensas nas articulações e complicações de longo prazo. O projeto piloto não só visa proteger a população local, mas também gerar dados valiosos para futuras campanhas de vacinação em escala nacional, contribuindo para a redução da incidência da doença em todo o Brasil.