Renda do brasileiro é a maior em 14 anos, mas desigualdade cresce, aponta IBGE
Renda brasileira é a maior em 14 anos, mas desigualdade sobe

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (8) os números da economia em 2025, revelando que a renda média dos brasileiros atingiu o maior valor em 14 anos. No entanto, os pesquisadores constataram que a desigualdade e a concentração de renda no Brasil também aumentaram no período.

Crescimento puxado pelo agronegócio

A palavra que mais se ouve em uma empresa de insumos agrícolas em Rondonópolis, Mato Grosso, é crescimento. "Temos filiais em Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás, e abrimos recentemente no Piauí. Tudo isso contribui para aumentar nossa equipe de vendas, equipe técnica e ter melhor penetração no Centro-Oeste", afirma Elói Prado, diretor de Ciência e Tecnologia. O agronegócio impulsiona a economia e gera empregos em setores como comércio e serviços.

O Centro-Oeste foi a região com maior crescimento do total de rendimentos gerados pelo mercado de trabalho. A melhora também foi registrada nas demais regiões do país. O total somado do rendimento médio mensal recebido por todo tipo de trabalho ultrapassou R$ 361,5 bilhões, o maior valor da série histórica, com aumento de 7,5% em relação a 2024. O valor médio recebido por trabalhador foi de R$ 3.560, crescimento de 5,7% na comparação com o ano anterior.

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Qualidade do mercado de trabalho

O mercado de emprego, formal e informal, aquecido segue como a principal fonte de renda dos brasileiros. O economista Fernando de Holanda, da FGV Ibre, ressalta que, apesar do baixo desemprego e do aumento na renda, é preciso analisar a qualidade desse mercado. "Em vez de nos especializarmos em áreas de serviços modernos que pagam melhor e geram mais valor agregado, a economia brasileira tem se especializado em serviços tradicionais com menor valor agregado, menor produtividade e salários mais baixos", explica.

Quando o IBGE considera outras fontes de renda, sem o mercado de trabalho, as aposentadorias e pensões lideram a contribuição. Há um aumento lento, mas constante, no índice de pessoas que recebem esses recursos, sinal do envelhecimento da população.

Programas de transferência de renda

Os programas de transferência de renda do governo se mantiveram praticamente estáveis de um ano para o outro. Somando os rendimentos dessas fontes com os do mercado de trabalho, a renda média mensal dos brasileiros também atingiu o maior valor da série histórica. "Vários estudos mostravam que a introdução do Bolsa Família, mesmo com valor baixo, fazia diferença. Agora, com o Bolsa Família mais caro, transferindo mais recursos, a desigualdade não está caindo tanto", afirma o economista Fernando Holanda.

Desigualdade e concentração de renda

Apesar do crescimento da renda, o IBGE mostra um problema histórico: a concentração de renda. Em 2025, os 10% da população com os ganhos mais altos receberam quase 14 vezes mais do que os 40% com os ganhos mais baixos. A cozinheira Guacira Barbosa teve aumento na renda, mas precisou se desdobrar entre faxinas e um pequeno buffet de festas. "Trabalho de diarista também, mas nem sempre tem. Com as festas, consegui reformar minha cozinha, que era só no embolso. Coloquei piso, estou ajeitando tudo", conta.

Em 2024, a desigualdade havia registrado o menor índice da série e, em 2025, voltou a subir, segundo o índice de Gini (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade). O Centro-Oeste, onde os rendimentos mais cresceram, tornou-se pela primeira vez a região com maior concentração de ganhos, superando o Nordeste.

Laura Muller Machado, professora do Insper, explica que isso repete um modelo brasileiro e que o patamar de desigualdade permanece alto. "Quando crescemos, a renda per capita aumenta, mas a desigualdade não se modifica. A riqueza está sendo distribuída apenas entre parte da sociedade, sem compartilhar com os mais vulneráveis", afirma.

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