Menopausa em São Paulo: Atendimentos crescem 91,3% em 2025 e desafiam saúde pública
O estado de São Paulo registrou um aumento impressionante de 91,3% nos atendimentos ambulatoriais relacionados à menopausa no ano de 2025, quando comparado ao período anterior. Este dado alarmante revela uma realidade que afeta diretamente mais de 3,2 milhões de mulheres paulistas com idades entre 45 e 54 anos, faixa etária em que os primeiros sintomas costumam surgir. A Fundação Seade, responsável pelas estatísticas, destaca que este crescimento representa um desafio significativo para o sistema de saúde pública.
Entendendo a menopausa: muito mais que uma data no calendário
A menopausa é um marco biológico inevitável na vida de toda mulher, marcado pela última menstruação. Este evento sinaliza que os ovários interromperam a produção dos hormônios femininos essenciais: estrogênio, progesterona e testosterona. Desde o nascimento, o sistema reprodutivo feminino possui um "estoque" limitado de folículos, que são gradualmente descartados a cada ciclo menstrual.
Maria Celeste Osório Wender, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), esclarece os termos médicos: "Menopausa é uma data específica - o último período menstrual. A perimenopausa refere-se ao início dos sintomas da falha na produção hormonal, enquanto o climatério engloba todo o período de transição, incluindo a pré-menopausa quando a mulher ainda menstrua mas já apresenta sinais da diminuição hormonal."
Sintomas que afetam a qualidade de vida
As alterações hormonais desencadeiam uma série de sintomas que podem ser bastante incapacitantes:
- Ondas de calor intensas (fogachos)
- Irritabilidade e oscilações de humor
- Distúrbios do sono e insônia
- Mudanças na distribuição da gordura corporal
- Perda de massa óssea (osteoporose)
- Diminuição da libido
- Aumento do risco de doenças cardiovasculares
Roseane Perrone, administradora do lar de 56 anos, descreve sua experiência: "Parou a menstruação e comecei a sentir um calor desesperador. Parece um fogo que vem do peito e sobe, são segundos muito fortes, é incômodo demais. Já ouvi pessoas falando, mas achava que não ia passar por isso."
Impactos metabólicos e cardiovasculares
A endocrinologista Elaine Frade, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, alerta para as consequências mais graves: "Existe uma queda hormonal brusca e abrupta que afeta todo o metabolismo. Isso leva à deposição de gordura, alterações no metabolismo da glicose e do colesterol - o que chamamos de 'síndrome metabólica'. Aumenta significativamente o risco de eventos cardiovasculares como infarto e angina."
Os distúrbios do sono, comuns nesta fase, desencadeiam uma cascata de outros problemas: oscilações de humor, sensação de esquecimento, cansaço físico e mental extremo. Roseane complementa: "Você se sente esgotada. Já não dormiu direito e ainda não consegue fazer as coisas, é torturante."
Uma fase que pode durar décadas
Considerando que a expectativa de vida das mulheres paulistas é de 80 anos, uma mulher que começa a apresentar sintomas do climatério aos 45 anos poderá viver quase metade de sua vida na menopausa. Esta perspectiva reforça a urgência de políticas públicas adequadas e acesso a informação de qualidade.
O SP1, programa da TV Globo, está produzindo uma série especial de reportagens que retrata como cada mulher vive esta transição e quais são os caminhos para atravessar esta fase com dignidade, acesso à informação precisa, acolhimento emocional e tratamento médico adequado. A iniciativa busca desmistificar o tema e promover uma discussão mais ampla sobre saúde feminina no Brasil.



