Menino de 9 anos morre após sete atendimentos médicos em Campo Grande; negligência é investigada
A morte de João Guilherme Jorge Pires, de apenas 9 anos, ocorrida em Campo Grande, está sendo minuciosamente investigada pelas autoridades após a família denunciar uma possível negligência médica. Segundo relatos emocionados dos familiares, o menino procurou atendimento médico por sete vezes distintas em diversas unidades de saúde, após ter batido o joelho no dia 2 de abril durante uma brincadeira em casa. Ele veio a falecer na madrugada de terça-feira, 7 de abril, após ser transferido para a Santa Casa da capital, ser submetido à intubação e sofrer uma parada cardíaca fatal.
Velório e sepultamento do jovem João Guilherme
João Guilherme foi velado na manhã de quarta-feira, 8 de abril, e posteriormente sepultado no Cemitério Jardim da Paz no início da tarde do mesmo dia. A Polícia Civil e a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, conhecida como Sesau, estão apurando rigorosamente todas as circunstâncias que envolveram a trágica morte e a conduta dos profissionais de saúde que atenderam a criança. O caso foi oficialmente registrado como homicídio culposo e a investigação está sob a responsabilidade da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente, a DEPCA, que analisa meticulosamente se houve alguma falha grave no atendimento prestado.
Origens do problema de saúde e a sequência de atendimentos
Conforme detalhado pelo cunhado de João Guilherme, Michael Petrovich de Souza, o menino machucou seriamente o joelho ao cair sobre uma pedra enquanto brincava em sua residência na quinta-feira, 2 de abril. Ele foi imediatamente levado para a Unidade de Pronto Atendimento Tiradentes, onde realizou um raio-X que não apontou nenhuma fratura na perna esquerda. Após esse exame, recebeu uma prescrição médica de dipirona e ibuprofeno e foi liberado para se recuperar no ambiente doméstico. A família afirma que foi informada de que ele teria apenas "trincado o joelho", uma explicação que deixou todos perplexos diante do desfecho fatal.
Em um período de apenas seis dias, João Guilherme passou por impressionantes sete atendimentos médicos, segundo o relato familiar. Ele foi conduzido à UPA Tiradentes, à UPA Universitário e finalmente à Santa Casa de Campo Grande. Na grande maioria dessas visitas, recebeu medicação e foi liberado, mesmo com a evidente piora das dores e o surgimento de novos sintomas alarmantes.
Sintomas apresentados e a piora do estado de saúde
Além da intensa dor no joelho, o menino começou a reclamar de fortes dores no peito, que em um dos atendimentos foram erroneamente associadas à ansiedade. Na véspera de sua morte, ele apresentou manchas roxas por todo o corpo, palidez extrema, falta de ar preocupante e episódios repetidos de desmaio. Na noite de segunda-feira, 6 de abril, João foi levado desacordado à UPA Universitário, onde foi reanimado e entubado de emergência. A morte foi declarada na madrugada de terça-feira, 7 de abril, quando sofreu uma parada cardíaca irreversível na Santa Casa.
Suspeitas de negligência médica e investigações em andamento
A família sustenta firmemente que exames mais detalhados e aprofundados não foram realizados no início do quadro clínico e que houve uma demora significativa e perigosa para atender o menino quando seu estado de saúde começou a se deteriorar rapidamente. Eles também citam um laudo preliminar emitido pela Santa Casa, que sugere que uma intubação realizada anteriormente em uma UPA pode ter sido executada de forma incorreta e inadequada. O presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, Valdemar Moraes, afirmou categoricamente que existem fortes indícios de falhas graves no atendimento e defendeu veementemente que o caso seja investigado com o máximo de rigor e transparência.
A causa oficial da morte ainda não foi confirmada e depende crucialmente do resultado do exame necroscópico solicitado pela Polícia Civil. Durante os diversos atendimentos, alguns profissionais de saúde chegaram a levantar a suspeita de um coágulo, mas nenhuma medida conclusiva foi tomada a tempo. A DEPCA está analisando minuciosamente todos os prontuários médicos para verificar se houve falha, omissão ou imperícia nos atendimentos prestados ao menino. O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul e o Conselho Municipal de Saúde também estão acompanhando atentamente o caso para apurar possíveis responsabilidades dos profissionais e das unidades de saúde envolvidas.
Posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde
Em nota oficial, a Sesau informou que o caso está sendo rigorosamente apurado com base em todos os registros médicos das unidades de saúde. A secretaria afirmou ainda que, se forem identificadas falhas, desvios de conduta ou negligências, todas as medidas cabíveis e punitivas serão tomadas imediatamente. A comunidade aguarda ansiosamente por respostas e justiça para João Guilherme e sua família.



