Menino de 9 anos morre após sete atendimentos médicos em Campo Grande
Menino de 9 anos morre após sete atendimentos médicos

Menino de 9 anos morre após sete atendimentos médicos em Campo Grande

A morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, ocorrida na madrugada de terça-feira (7), em Campo Grande, está sendo investigada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). Segundo relatos da família, o menino passou por sete atendimentos médicos após machucar o joelho, recebeu medicação e foi liberado, mas seu estado piorou, culminando em seu falecimento.

Sequência de atendimentos e suspeitas de negligência

De acordo com informações da polícia, o corpo da criança foi submetido a um exame necroscópico, que deve esclarecer a causa da morte. O caso foi inicialmente registrado como homicídio culposo na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, e agora está sob a responsabilidade da DEPCA. A investigação visa analisar a sequência de atendimentos nas unidades de saúde e apurar possíveis negligências.

A tia da criança, Adriana Soares, relatou que João Guilherme voltou a passar mal após ser liberado com medicamentos. Na segunda-feira (6), o menino apresentou manchas roxas pelo corpo e reclamou de dor no peito. Ele foi levado novamente para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pelo cunhado, Michael Petrovich de Souza, já em estado debilitado.

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Durante o atendimento, os profissionais de saúde informaram à família sobre a suspeita de um coágulo. Após uma tentativa de intubação, o menino sofreu um sangramento intenso. Apesar de ter sido estabilizado e transferido para a Santa Casa de Campo Grande, João sofreu uma nova parada cardíaca e não resistiu.

Família aponta falhas no atendimento

A família afirma que um laudo preliminar do hospital indica que a intubação realizada anteriormente pode ter sido feita de forma incorreta. “A gente entende que sim, houve uma falha porque a criança veio a falecer. Agora se foi falha nesse fluxo assistencial, falha de conduta de um profissional, cabe a secretaria de saúde apurar [...] Ao Conselho Municipal compete acompanhar esse caso de perto”, declarou Jader Vasconcelos, presidente do Conselho Municipal de Saúde.

Valdemar Moraes, presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, destacou indícios de falhas no atendimento e defendeu uma investigação aprofundada. “A demora no atendimento de fazer uma tomografia, um raio x e isso é um erro médico”, afirmou.

Cronologia dos atendimentos médicos

Uma sequência de sete atendimentos marcou os últimos dias de vida da criança em Campo Grande. Conforme relatado pelos familiares à polícia:

  1. Quinta-feira (2 de abril): Após cair e bater o joelho, foi levado à UPA Tiradentes, onde passou por consulta e raio-X. Liberado com dipirona e ibuprofeno.
  2. Sexta-feira (3 de abril): Com o quadro sem melhora, foi ao IPA Universitário, recebeu a mesma medicação e foi liberado novamente.
  3. Sábado (4 de abril): Atendido na UPA Universitário, medicado com injeção e queixas de dor no peito tratadas como ansiedade.
  4. Domingo (5 de abril): Retornou à UPA Universitário, onde um novo raio-X identificou lesão no joelho. Orientado a procurar a Santa Casa para imobilização.
  5. Segunda-feira (6 de abril): Na Santa Casa, teve a perna imobilizada com tala e foi liberado.
  6. Noite de segunda-feira (6 de abril): Em casa, passou mal, desmaiou e ficou roxo. Levado desacordado à UPA Universitário, foi reanimado e entubado.
  7. Madrugada de terça-feira (7): Transferido para a Santa Casa, não resistiu. Óbito confirmado às 1h05.

Reações institucionais e luto

João Guilherme foi velado na manhã de quarta-feira (8) e enterrado no Cemitério Jardim da Paz no início da tarde. Ele era assistido pela Fundação Ueze Zahran, que emitiu uma nota de pesar, lembrando-o por sua alegria, sensibilidade e amor pela música.

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) também se manifestou, afirmando que acompanha o caso com pesar e atua com cautela como órgão fiscalizador. Em nota, o conselho destacou que uma infração ética só pode ser confirmada após a conclusão do processo administrativo, mantendo sigilo nas investigações para garantir imparcialidade.

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O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, enfatizou a necessidade de apuração para evitar que casos semelhantes ocorram no futuro. “Acompanhar o desfecho desse caso para entender o que realmente aconteceu para que não venha acontecer com outras pessoas”, concluiu.