Novo caso de superbactéria KPC é identificado em enfermaria do Hospital Mário Gatti em Campinas
KPC: novo caso em enfermaria do Hospital Mário Gatti em Campinas

Novo caso de superbactéria KPC é identificado em enfermaria do Hospital Mário Gatti em Campinas

O Hospital Mário Gatti, localizado em Campinas (SP), registrou mais um caso de contaminação pela bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase, conhecida como KPC. Diferente dos nove casos confirmados na UTI adulto, que levou ao fechamento da unidade devido a um surto, este novo episódio ocorreu na enfermaria, levantando preocupações entre familiares de pacientes.

Alerta de contágio e medidas de isolamento

Nesta quinta-feira (19), familiares de uma paciente internada gravaram um vídeo mostrando um leito na enfermaria com uma placa que alertava: "Precaução de contato, KPC". A Rede Mário Gatti, responsável pelo hospital municipal, emitiu uma nota defendendo que se trata de um caso isolado, sem relação com o surto na UTI. Após o resultado do teste, as equipes iniciaram medidas de precaução de contato e liberaram um quarto privativo para isolamento da paciente, que deve ser transferida nas próximas horas.

Segundo a rede, "a identificação de pacientes com micro-organismos multiresistentes, como a KPC, faz parte das rotinas de vigilância e segurança assistencial do hospital". Eles explicaram que o tempo de estadia da paciente em quarto coletivo, desde a confirmação do resultado, é o prazo necessário para realizar a limpeza terminal do leito antes da transferência.

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O que é a KPC e como ela surge?

A KPC é uma superbactéria resistente a antibióticos, parte de um grupo que produz enzimas capazes de destruir diversos medicamentos usados no tratamento de infecções bacterianas. Identificada no Brasil no início dos anos 2000, ela tem causado surtos periódicos em unidades de saúde. O infectologista e professor da Unicamp, Plínio Trabasso, explica que o surgimento dessas bactérias é uma consequência do uso prolongado de antibióticos potentes em ambientes hospitalares.

"Elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que a gente vai utilizando e por isso são mais prevalentes nesse próprio ambiente. É muito importante fazer o controle da disseminação, inclusive, porque o tratamento é dificultado", destaca Trabasso.

Sintomas e prevenção da infecção por KPC

As infecções mais comuns associadas à KPC incluem:

  • Infecções de corrente sanguínea (sepse)
  • Pneumonia
  • Infecções do trato respiratório
  • Infecções urinárias, embora menos frequentes
  • Infecções de feridas operatórias

A transmissão ocorre principalmente por contato com fluidos de pessoas infectadas ou através de aparelhos como ventiladores mecânicos, cateteres e sondas. A transmissão cruzada pode acontecer se houver falhas na higiene e desinfecção do ambiente hospitalar, embora a incidência fora desse contexto seja baixa. Para prevenir, Trabasso recomenda:

  1. Para a população em geral: realizar higiene das mãos com água e sabão ou álcool gel após contato com outras pessoas.
  2. Para profissionais de saúde: obedecer rigorosamente às regras específicas de higiene e segurança.

A KPC afeta principalmente pacientes internados com imunidade debilitada, como em UTIs, reforçando a necessidade de vigilância constante nos serviços de saúde.

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