Ilhota (SC) enfrenta infestação de maruins e busca soluções emergenciais para controle
Infestação de maruins em Ilhota (SC) preocupa moradores e autoridades

Infestação de maruins em Ilhota (SC) mobiliza prefeitura e preocupa moradores

A cidade de Ilhota, localizada no estado de Santa Catarina, enfrenta uma grave infestação de maruins, pequenos mosquitos cujas picadas causam intensa irritação e coceira na pele, além do risco de transmissão de doenças, incluindo a Febre do Oropouche. A prefeitura municipal informou que está em processo de contratação de uma empresa especializada para realizar testes técnicos, em caráter experimental e controlado, de um produto com potencial para o controle do inseto. Até o momento, não existe uma substância específica comprovadamente eficaz no combate ao maruim, conforme destacado pelas autoridades locais.

Empresa de Joinville é contratada para testes experimentais

A empresa responsável pelos testes é a Nório, sediada em Joinville, que recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) para realizar experimentos na cidade vizinha de Luiz Alves, quando esta entrou em situação de emergência devido à infestação do mosquito em 2024. A Nório foi contatada diretamente pelo município de Ilhota para conduzir os estudos. A reportagem também questionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre os requisitos necessários para o registro do produto, mas ainda aguarda uma resposta oficial.

Área rural do Morro do Baú é epicentro da infestação

A infestação se concentra principalmente na região do Morro do Baú, uma área rural da cidade conhecida por suas extensas plantações de banana. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a proliferação do maruim geralmente ocorre em locais com grande quantidade de matéria orgânica em decomposição. As fêmeas do inseto depositam seus ovos em ambientes úmidos e ricos em matéria orgânica, permitindo que as larvas se desenvolvam em mangues, brejos e pântanos.

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A prefeitura enfatizou que a eventual aplicação do produto será realizada de forma restrita, monitorada e acompanhada por equipe técnica, com o objetivo exclusivo de avaliar os resultados. Essa iniciativa não caracteriza, no momento, a adoção definitiva do método como política pública, mas sim uma medida experimental para enfrentar a crise.

Moradores relatam dificuldades e improvisam proteções

Os residentes de Ilhota convivem com a infestação desde 2008, quando fortes chuvas atingiram a cidade, especialmente a região do Morro do Baú. Nos últimos três anos, no entanto, a situação se agravou significativamente. Os moradores descrevem casas com portas e janelas permanentemente fechadas, além do uso constante de ventiladores para aliviar o calor do verão, mesmo com temperaturas que chegaram a 34,26°C neste mês, conforme dados da Epagri/Ciram.

"Durante o dia, a gente está preso como prisioneiros dentro das nossas casas. Nós somos prisioneiros das nossas casas", lamentou a moradora Patricia Zigoski Uchôa. Para se proteger, muitos improvisam usando calças, meias, casacos e luvas mesmo durante os dias mais quentes, quando as temperaturas ultrapassam os 30°C, uma medida desesperada para evitar as picadas dos insetos.

A infestação de maruins em Ilhota representa um desafio urgente para a saúde pública e a qualidade de vida da população, exigindo ações coordenadas entre governo, empresas e comunidade para encontrar soluções eficazes e duradouras.

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