Família denuncia ferimentos em idosa após troca de sonda em UPA de Rio Claro
Idosa ferida após troca de sonda em UPA de Rio Claro

Família denuncia ferimentos em idosa acamada após troca de sonda em UPA de Rio Claro

A família da aposentada Maria José Gonçalves, de 84 anos, registrou um boletim de ocorrência após encontrar machucados no corpo dela após uma troca de sonda na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Cervezão, em Rio Claro, interior de São Paulo. A idosa, que sofre de Alzheimer e está acamada, depende de sonda para se alimentar e necessita de cuidados especiais constantes.

Detalhes do atendimento médico

Segundo relatos da neta Suelen Gonçalves Moreira da Silva, que é técnica de enfermagem, a família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no dia 2 de fevereiro devido a uma obstrução na sonda. Na UPA, o procedimento de troca foi realizado rapidamente, sem seguir o protocolo adequado de espera para realização de raio-X, que visa verificar a posição correta do dispositivo e prevenir riscos como broncoaspiração.

Após retornar para casa, a família percebeu que a alimentação não estava descendo pela sonda, necessitando de novo chamado ao Samu. Os socorristas identificaram que a sonda estava fora do lugar, levando a uma segunda ida à unidade de saúde. Nessa ocasião, a troca foi refeita, mas a espera pelo raio-X ultrapassou duas horas.

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Ferimentos e relatos familiares

Quando liberada, Maria apresentava machucados visíveis no braço direito e no pescoço, conforme registros fotográficos feitos pelos familiares. Suelen relatou que outra neta, que acompanhava a avó, ficou assustada ao vê-la ensanguentada e ouviu de um profissional de saúde que os ferimentos ocorreram ao segurá-la pelo braço durante o procedimento.

O prontuário de atendimento indica que a idosa deu entrada na UPA pouco antes da meia-noite e foi liberada às 5h20, passando mais de 12 horas sem alimentação, medicamentos ou água adequados. A família critica a falta de permissão para acompanhamento durante o raio-X, mesmo diante das condições de saúde frágeis da paciente.

Processo administrativo e busca por justiça

A Fundação Municipal de Saúde de Rio Claro emitiu nota lamentando o ocorrido e solidarizando-se com a idosa e seus familiares. A instituição informou que a família procurou a administração da UPA, que está acompanhando o caso, e que um processo administrativo foi instaurado para apurar as circunstâncias do atendimento, com andamento disponível para acompanhamento dos envolvidos.

A Polícia Civil determinou a realização de exame de corpo de delito na idosa, com a família aguardando a data para o procedimento. Especialistas em gerontologia, como Cleanderson Costa, destacam a importância do acompanhamento familiar e de técnicas adequadas de transferência para prevenir lesões em pacientes idosos com condições delicadas.

Suelen expressou o desejo da família por justiça, visando evitar que outras pessoas passem por situações semelhantes. O caso levanta questões sobre a qualidade do atendimento em unidades de saúde públicas e a necessidade de rigor no cumprimento de protocolos médicos para proteger pacientes vulneráveis.

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