Hospital de campanha de Nova Iguaçu apresenta cena de abandono com equipamentos e ambulâncias
Um cenário de completo descaso marca os fundos do antigo hospital de campanha em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A estrutura, que foi construída às pressas durante o auge da pandemia de Covid-19 com um investimento superior a R$ 50 milhões, hoje apresenta ambulâncias, caminhões e equipamentos médicos abandonados e expostos às intempéries.
Investimento milionário transformado em abandono
Inaugurado em 2021 com capacidade para até 300 leitos, o hospital foi erguido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para atender especificamente pacientes da Covid-19. O espaço leva o nome do médico Ricardo Cruz, profissional que faleceu vítima da doença em 2020. Atualmente, apenas a parte frontal da unidade mantém funcionamento como hospital modular, recebendo pacientes transferidos de outras instituições de saúde.
Nos fundos da unidade, onde originalmente operava o hospital de campanha, a realidade é completamente diferente. Pelo menos sete ambulâncias estão paradas no local, além de um caminhão e um reboque que anteriormente transportavam um tomógrafo móvel. Equipamentos médicos diversos estão espalhados pela área, alguns protegidos apenas por tendas improvisadas que oferecem pouca proteção contra sol e chuva.
Relatos de furtos e indignação da população
Moradores da região têm relatado a presença constante de pessoas que invadem o espaço para furtar peças e componentes dos equipamentos abandonados. A situação gera indignação entre os cidadãos que acompanham o desperdício de recursos públicos.
"É uma covardia, né? A população depende disso e fica aí à mercê de sol e chuva, com o nosso dinheiro, dinheiro público", afirmou o caminhoneiro Everaldo Reis, expressando o sentimento compartilhado por muitos moradores da Baixada Fluminense.
Posicionamento do governo estadual
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro emitiu nota explicando a situação. Segundo a pasta, cinco das ambulâncias estacionadas na unidade estão em processo de baixa patrimonial para descarte adequado, por já terem atingido o fim de sua vida útil. A secretaria destacou ainda que Nova Iguaçu recebeu recentemente 11 novos veículos por meio do programa Samu 100%.
Em relação ao caminhão e reboque utilizados como tomógrafo móvel, o governo informou que os equipamentos estão vazios, mas em boas condições técnicas, podendo receber um novo aparelho para retomar operações quando necessário.
Destinação atual da estrutura
A Secretaria de Saúde afirmou que a estrutura criada durante a pandemia foi adaptada e hoje integra o atendimento médico à população local. A retaguarda da unidade funciona para casos de alta complexidade, incluindo atendimento pediátrico e adulto, com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os pacientes chegam ao local por meio do sistema estadual de regulação.
O hospital modular móvel, segundo a pasta, está acondicionado em estruturas retráteis para preservação adequada e pode ser utilizado de forma estratégica para apoiar os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro em situações de emergência ou necessidade específica.
Promessa não cumprida
Na época da inauguração, a Secretaria Estadual de Saúde havia informado que, após o fim da pandemia, a estrutura continuaria sendo utilizada para atender a população da Baixada Fluminense. No entanto, a realidade atual mostra que apenas parte dessa promessa foi cumprida, com o hospital modular em funcionamento enquanto a área do antigo hospital de campanha permanece em estado de abandono.
A situação levanta questões sobre o planejamento pós-pandemia e a destinação adequada de equipamentos e estruturas de saúde que foram adquiridos ou construídos com recursos públicos durante o período mais crítico da Covid-19 no Brasil.



