Surto de hepatite A em Ribeirão Preto: casos aumentam 100 vezes e Saúde emite alerta
Hepatite A: casos aumentam 100 vezes em Ribeirão Preto

Surto de hepatite A preocupa autoridades de saúde em Ribeirão Preto

Os casos de hepatite A registraram um aumento alarmante no primeiro trimestre deste ano em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, colocando as autoridades de saúde em estado de alerta. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, a cidade já contabilizou 203 ocorrências da doença entre janeiro e março, um número impressionante quando comparado aos apenas dois casos registrados no mesmo período do ano anterior.

Autoridades confirmam situação de surto

A subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi Passos, explicou que o aumento nos casos começou a ser observado ainda em dezembro e tem se mantido desde o início deste ano. "Nós começamos a observar no mês de dezembro e este aumento persiste nos meses de janeiro, fevereiro e agora na primeira semana de março também", afirmou a especialista em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.

Segundo Luzia, a situação já pode ser caracterizada como um surto, embora não apresente crescimento exponencial. "É um número além do esperado", ressaltou a subsecretária, destacando que a Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto ainda não identificou um ponto principal de contaminação na cidade.

Doença altamente transmissível exige cuidados

A hepatite A é uma infecção viral que se hospeda exclusivamente em humanos e possui alta capacidade de transmissão. O vírus se espalha principalmente através do contato com água, alimentos ou objetos contaminados, sendo comum em situações de higiene inadequada das mãos ou consumo de produtos contaminados.

"Estamos investigando caso a caso", explicou Luzia sobre as medidas adotadas pelas autoridades. "Conversamos com as pessoas, investigamos onde trabalham, se manipulam alimentos, se viajaram, enfim, buscando uma possível fonte de infecção. Se identificamos alguma fonte de infecção, atuamos imediatamente".

Sintomas e formas de transmissão

Os primeiros sintomas da hepatite A incluem:

  • Cansaço excessivo
  • Febre
  • Náuseas
  • Sintomas gastrointestinais como enjoo e vômitos

Em casos mais avançados, a pessoa infectada pode apresentar urina escura e icterícia (pele e olhos amarelados). A transmissão ocorre principalmente através do compartilhamento de copos e talheres com pessoas infectadas, consumo de água e alimentos contaminados, e em alguns casos, por meio de relações sexuais que envolvam contato com resíduos fecais.

Relato de quem enfrentou a doença

A assessora de eventos Mariana Villares, diagnosticada com hepatite A em Ribeirão Preto, descreveu sua experiência com a doença: "Não é fácil, é uma doença muito chata, coça demais o corpo, a gente fica com esses sintomas de olho amarelo. Se cuidem, tomem as vacinas". Ela ainda alertou: "Eu comecei com uma gripe, então se vocês perceberem qualquer sintoma diferente, procure um médico".

Prevenção e tratamento

A hepatite A possui diversas formas de prevenção, sendo as principais a higiene pessoal rigorosa e a vacinação. A infectologista Silvia Fonseca destacou que "essa vacina está no nosso calendário do SUS desde 2014", mas alertou que adultos que não tiveram oportunidade de se vacinar na infância podem estar suscetíveis.

Durante o tratamento, é fundamental ter cuidado com medicamentos ingeridos e evitar completamente bebidas alcoólicas. "Nada de remédios naturais, porque nem tudo que é chamado de natural pode ser benéfico para o fígado", orientou a médica. "Além de a pessoa fazer um repouso, não deve beber, porque o álcool é um inflamador de fígado".

Vacinação disponível na rede pública

Segundo a Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto, a vacina contra a hepatite A está disponível em todas as salas de vacinação da cidade e é especialmente indicada para crianças e grupos de risco. As autoridades reforçam a importância da imunização como medida preventiva fundamental para conter o avanço do surto.

A rede assistencial da cidade também foi preparada para disponibilizar exames laboratoriais para diagnóstico preciso dos casos, permitindo uma resposta mais ágil e eficiente ao aumento de ocorrências da doença.