Fisioterapeuta enfrenta doença rara e se torna tetraplégica cinco vezes
A fisioterapeuta Roberta Rodrigues, de 33 anos, natural de Santa Fé de Goiás, vive uma batalha constante contra a Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP), uma condição neurológica autoimune rara. A doença já a deixou tetraplégica em cinco ocasiões distintas, mas com tratamento adequado e muita determinação, ela celebra cada avanço na recuperação dos movimentos.
Diagnóstico e primeiras crises
A primeira crise ocorreu em 2008, quando Roberta tinha apenas 15 anos, poucos dias após receber a vacina contra febre amarela. "Comecei a sentir uma fraqueza que vinha dos pés e subia", relembra. O diagnóstico inicial foi de Síndrome de Guillain-Barré, outra doença autoimune que paralisa os músculos. Na época, ela precisou de tratamento com imunoglobulina para evitar que a condição afetasse seu sistema respiratório.
Desde então, Roberta enfrentou 10 crises graves, sendo que em nove delas precisou ser internada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido à insuficiência respiratória. "Em nove delas, eu precisei ir para a UTI, porque eu parei de respirar, precisei ser entubada", conta a fisioterapeuta.
Evolução para CIDP e tratamento intensivo
Com a recorrência das crises ao longo dos anos - algo incomum na Guillain-Barré - os médicos reclassificaram seu quadro para CIDP, uma forma crônica da doença. A fisioterapeuta Júlia Chaves explica que esta condição ocorre quando o sistema imunológico ataca as próprias células nervosas, causando perda progressiva da força muscular.
Roberta descreve as crises mais graves: "Eu perdia totalmente os movimentos do pescoço para baixo. As crises mais graves que tive foram em 2008, 2010, 2015, 2018 e 2024". Durante as fases agudas, o tratamento inclui imunoglobulina ou plasmaférese - procedimento que filtra o plasma sanguíneo para remover anticorpos prejudiciais.
Preparação física como aliada
O que diferencia a trajetória de Roberta é sua abordagem proativa. Praticante de capoeira desde a adolescência, ela intensifica os treinos nos períodos entre as crises. "Eu sempre treinei muito para que, quando viesse a crise, eu ter o que gastar", afirma. Essa preparação física, somada ao seu conhecimento como fisioterapeuta, tem sido fundamental para sua recuperação completa após cada episódio.
Atualmente, além da fisioterapia intensiva, Roberta faz tratamento preventivo com Rituximabe, medicação administrada a cada seis meses. "Hoje, eu já movimento os braços, só não estou andando ainda, mas eu já estou bem melhor do que a fase de antes, com muita fisioterapia e muito esforço", comemora.
Vida profissional e superação
Formada em fisioterapia pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), com residência na Secretaria Estadual de Saúde e na Universidade Federal de Goiás (UFG), Roberta atua como fisioterapeuta no Hospital das Clínicas de Goiânia, onde também é preceptora de residentes. Durante a pandemia de COVID-19, trabalhou na linha de frente e se destacou pelo atendimento humanizado.
Além de sua atuação hospitalar, Roberta já foi docente em quatro cursos de pós-graduação, possui especialização em neurociência e formação em psicanálise. Sua resiliência é evidente: "Eu não tenho nenhuma sequela motora hoje, e eu atribuo isso muito à minha mentalidade e ao meu condicionamento físico".
A mudança para Goiânia foi necessária devido às demandas de tratamento, mas Roberta mantém o otimismo: "É assim minha vida, a minha vida inteira foi desse jeito". Sua história exemplifica como conhecimento profissional, preparo físico e força mental podem transformar o enfrentamento de uma doença crônica em uma jornada de superação contínua.



