Família denuncia negligência após morte de estudante de medicina no Acre
A família do estudante de medicina Jefferson Alves Pinto, de 23 anos, acusa o Hospital do Alto Acre, localizado em Brasiléia, no interior do estado, de negligência médica após a morte do jovem. Jefferson faleceu na madrugada de sexta-feira (27) após sentir fortes dores de cabeça e buscar atendimento médico na unidade de saúde.
Sequência de eventos que levou à tragédia
Conforme relato do namorado do estudante, Júnior Cavalcante, Jefferson acordou na manhã de quarta-feira (25) com intensas dores de cabeça, mas decidiu comparecer às aulas na faculdade onde cursava medicina na Bolívia. Ao retornar para casa, tomou um medicamento para alívio da dor e descansou.
Por volta das 20h, ambos decidiram buscar atendimento médico no Hospital do Alto Acre. Segundo Júnior, o estudante aguardou aproximadamente uma hora para ser atendido, recebeu uma injeção intravenosa de dipirona com outro medicamento não identificado e foi liberado para retornar à residência.
Retorno ao hospital e atendimento questionado
Por volta da meia-noite de quinta-feira (26), Jefferson decidiu retornar sozinho ao hospital, pois Júnior já estava dormindo e não atendeu às ligações e mensagens. No segundo atendimento, conforme o relato do companheiro, a espera foi mais prolongada e o estudante foi encaminhado para receber soro intravenoso.
"Não sei o que colocaram no soro porque não quiseram mostrar o prontuário e nem dizer quem era o médico responsável", afirmou Júnior Cavalcante, destacando a falta de transparência no atendimento.
Episódios de convulsão e tentativas de reanimação
Enquanto estava em observação no hospital, Jefferson começou a apresentar episódios de convulsões. Testemunhas relataram que o médico não compareceu para verificar o estado do paciente quando foi chamado. O estudante chegou a cair do local onde estava recebendo o soro e permaneceu no chão.
"Ele caiu do lugar onde estava tomando soro e ficou ali no chão. A moça pensou que ele estava dormindo, só que eu acho que já era a convulsão e ele, provavelmente, faleceu ali", complementou Júnior, descrevendo os momentos finais.
Família busca respostas e abre investigação
A tia de Jefferson, Liliaine Alves, relatou que ao buscar informações no hospital sobre as circunstâncias da morte do sobrinho, enfrentou resistência da equipe médica. "Ninguém quis falar comigo sobre o óbito, como foi e o que tinha acontecido. Eu pedi para ver os prontuários também, se negaram a mostrar", afirmou.
Diante da situação, a família registrou uma ocorrência na Polícia Civil solicitando a abertura de investigação contra o hospital por possível negligência. Um exame de autópsia foi realizado em Rio Branco para determinar a causa da morte.
Posicionamento da Secretaria de Saúde do Acre
Por meio de nota oficial, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou que está apurando com rigor as circunstâncias do óbito. A pasta confirmou que o paciente deu entrada no hospital na noite do dia 25 com queixa de cefaleia, sendo atendido e medicado.
O estudante retornou na madrugada com novos sintomas, quando foi novamente assistido pela equipe médica, medicado e mantido em observação. Na manhã seguinte, ao ser chamado para realização de exames, foi encontrado inconsciente e encaminhado à sala de emergência, onde foi constatado o óbito.
"A causa da morte ainda não foi definida e será esclarecida por meio de investigação clínica. A Secretaria já iniciou apuração interna, podendo o caso ser encaminhado às instâncias competentes", afirmou a Sesacre em comunicado.
Contexto pessoal do estudante
Natural de Rondônia, Jefferson Alves Pinto morava em Brasiléia para cursar medicina em uma faculdade particular na Bolívia, país que faz fronteira com o Acre. O corpo do estudante deveria ser transportado para Rondônia no sábado (28), com previsão de chegada às 6h.
A família aguarda os resultados da investigação clínica e policial para esclarecer as circunstâncias exatas da morte do jovem estudante de medicina, enquanto questiona a qualidade do atendimento recebido na unidade de saúde pública do interior acreano.



