A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários (AEMPS), órgão equivalente à Anvisa no Brasil, manifestou-se sobre a eficácia da homeopatia. Após analisar mais de 60 revisões sistemáticas, concluiu que não há evidência científica de benefício terapêutico. Em comunicado, a AEMPS afirmou que os cidadãos devem saber que a homeopatia carece de evidência e que substituir tratamentos baseados em evidências por ela pode colocar a saúde em risco.
Decisão não é isolada
O posicionamento da Espanha segue tendência internacional. Reino Unido deixou de financiar homeopatia no sistema público em 2018, Austrália em 2019 e França em 2021. Avaliações semelhantes de órgãos de saúde nesses países chegaram a conclusões idênticas.
Cenário brasileiro
No Brasil, a homeopatia é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), integra cursos da área da saúde e está disponível no SUS por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Para especialistas, a ausência de parâmetros técnicos claros e de avaliações de eficácia levanta dúvidas sobre a alocação de recursos. Paulo Almeida, diretor executivo do Instituto Questão de Ciência, critica a incorporação da homeopatia no SUS, afirmando que ela é mantida por lobby médico.
O que é homeopatia?
Criada pelo alemão Samuel Hahnemann no século 18, baseia-se em dois princípios: "similar cura similar" (substância que causa sintomas em sadios trataria doentes) e diluição e agitação repetidas do ingrediente em líquido. Ingredientes vêm dos reinos mineral, vegetal e animal. Exemplo: a Arnica, que em grandes quantidades causa dor e contusão, é usada diluída para tratar esses mesmos sintomas. Pesquisas mostram que homeopatia não tem efeito superior ao placebo.



