Cuidar de jovens com transtornos mentais consome até metade da renda familiar, aponta estudo da Unifesp
Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) trouxe à tona uma realidade preocupante para famílias brasileiras: cuidar de um filho com transtornos mentais pode custar até metade do salário da família. A pesquisa, que ouviu 1.158 cuidadores de jovens entre 14 e 23 anos – a maioria mães –, identificou que o impacto econômico desse cuidado atinge todas as classes sociais, sem distinção.
Impacto vai além dos gastos diretos com saúde
Segundo o levantamento, o peso no orçamento familiar não se limita apenas a despesas diretas com saúde, como consultas e medicamentos. Os pesquisadores destacam que entram na conta fatores como horas de trabalho perdidas, queda de produtividade, desgaste emocional e custos com transporte para atendimentos médicos. Esses elementos combinados criam um fardo financeiro significativo, que muitas vezes passa despercebido em discussões públicas sobre saúde mental.
Custos afetam até casos considerados menos graves
O estudo também chama atenção para um ponto crucial: o custo não aparece apenas em condições consideradas mais graves, como o autismo. Transtornos mais corriqueiros, como ansiedade, depressão e transtornos de comportamento, já são suficientes para afetar profundamente a rotina e o bolso dessas mães e responsáveis. Isso revela uma vulnerabilidade ampliada, onde mesmo diagnósticos comuns podem levar a consequências econômicas severas.
Programa Pode Falar oferece apoio gratuito e anônimo
Para jovens de 13 a 24 anos que estejam passando por momentos difíceis, uma alternativa de apoio é o programa Pode Falar, criado pela UNICEF em parceria com organizações da sociedade civil. O canal é gratuito, anônimo e, em um ano de funcionamento, já registrou mais de 35 mil acessos, com a maioria concentrada em São Paulo. Essa iniciativa busca fornecer um espaço seguro para conversas, aliviando parte da pressão sobre as famílias.
Pesquisa reforça efeitos amplos do cuidado em saúde mental
A pesquisa da Unifesp reforça como o cuidado em saúde mental pode gerar efeitos amplos na vida das famílias, impactando tanto a renda quanto a organização do dia a dia. Esses dados sublinham a necessidade de políticas públicas mais robustas e acessíveis, que considerem não apenas o tratamento clínico, mas também o suporte econômico e logístico para os cuidadores. A situação exige uma abordagem integrada, que reconheça a complexidade dos transtornos mentais e seus reflexos na sociedade.



