CRM-PB investiga erros em laudos médicos no Hospital Metropolitano de Santa Rita
CRM-PB investiga erros em laudos no Hospital Metropolitano

CRM-PB inicia sindicância para investigar erros em laudos médicos no Hospital Metropolitano

O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) anunciou oficialmente nesta sexta-feira (27) a abertura de uma sindicância para apurar denúncias de erros em laudos médicos com possíveis irregularidades no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, localizado em Santa Rita, na região metropolitana de João Pessoa. A decisão foi comunicada pelo presidente do CRM-PB, Bruno Leandro, em entrevista à TV Cabo Branco, após denúncias que emergiram publicamente na quinta-feira (26).

Denúncias detalhadas de profissionais da saúde

Profissionais da saúde que preferiram manter o anonimato relataram à emissora diversas irregularidades no hospital, com ênfase nos erros de diagnóstico que, segundo as acusações, ocorrem desde outubro de 2025. O problema teria começado após uma mudança na equipe responsável pelos exames de imagem: anteriormente realizados por médicos radiologistas da própria unidade, os laudos passaram a ser emitidos por uma empresa terceirizada.

Um dos médicos denunciantes alertou sobre os perigos para a saúde dos pacientes, citando especificamente um caso grave de erro em laudo de aneurisma. "A imagem mostra o aneurisma de aorta torácica de grandes dimensões e o laudo ignora esse diagnóstico. É uma emergência médica que pode ter consequências catastróficas para o paciente, podendo causar a morte em pouco tempo", declarou o profissional.

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Fiscalização revela problemas estruturais na UTI

Além da investigação sobre os laudos, o CRM-PB realizou uma fiscalização no hospital na tarde de quinta-feira (26) para verificar outras irregularidades denunciadas, incluindo falhas na infraestrutura. Bruno Leandro detalhou que uma das principais deficiências identificadas foi a refrigeração inadequada da UTI.

"A UTI precisa ser mais refrigerada, inclusive por questões bacteriológicas. Os termômetros já marcavam 25, 26 graus, ambiente bastante quente e insalubre para a prática médica", explicou o presidente do conselho.

A fiscalização também constatou:

  • Falta de equipamentos essenciais como monitorização de pressão intracraniana
  • Quadro de funcionários insuficiente na unidade de terapia intensiva
  • Condições que comprometem a segurança e qualidade do atendimento

O CRM-PB estabeleceu um prazo de sete dias para correção de todas as inconformidades, sob risco de interdição ética parcial do setor comprometido.

Documento interno e posicionamento do sindicato

A TV Cabo Branco teve acesso a uma carta interna elaborada por médicos do hospital que alerta sobre os problemas nos laudos. No documento, os profissionais afirmam que os erros ocorrem de forma "reiterada" e que os laudos "carecem de descrição técnica pormenorizada dos achados tomográficos, apresentando-se de forma excessivamente sucinta e, por vezes, limitadas a conclusões genéricas".

O Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) também foi procurado pelos profissionais do Hospital Metropolitano e classificou a situação como "preocupante". Tarcísio Campos, presidente do sindicato, destacou: "É preocupante, visto que essa denúncia parte de dentro do próprio hospital. Os colegas que estão recebendo esses laudos questionam sua confiabilidade, o que gera possibilidade de condutas erradas no tratamento".

Impacto ampliado para pacientes externos

Outro médico que optou pelo anonimato ressaltou que o problema afeta não apenas pacientes internos, mas também pacientes externos que buscam atendimento no Hospital Metropolitano. Como a unidade recebe pessoas de diversas cidades além da Grande João Pessoa, muitos retiram os exames no local e os levam para outros estabelecimentos de saúde.

"No caso de pacientes externos, que muitas vezes vêm de lugares distantes sem aparelhos tecnológicos como esses do hospital, o médico terá que aceitar que o laudo é verdadeiro. Podemos esperar muitos resultados negativos para esses pacientes", alertou o profissional.

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Posicionamento oficial do hospital

O Hospital Metropolitano, administrado pela PBSaúde (fundação pública do Governo da Paraíba), emitiu nota afirmando que "respeita a atuação do órgão de classe e está integralmente à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários". A instituição informou que conta com uma central de laudos formada por quatro empresas credenciadas, responsáveis pela emissão de laudos de Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada em 11 equipamentos distribuídos nas três macrorregiões da Paraíba.

Sobre as alegações de erros, a PBSaúde argumentou que "divergências de interpretação podem ocorrer na prática médica, especialmente em exames de alta complexidade", ressaltando que "o laudo é um componente essencial do processo diagnóstico, mas não constitui, por si só, o único determinante da estratégia terapêutica".

A fundação defendeu que o modelo atual "foi adotado para garantir agilidade na liberação dos resultados, atendimento contínuo à população e suporte especializado às equipes médicas".