Emoção e buzinaço marcam volta ao mar de menina com leucemia no interior de SP
Após 10 meses de tratamento contra a leucemia, a pequena Clara Faust Araujo, de 5 anos, de Rio Claro (SP), emocionou as redes sociais ao voltar à praia pela primeira vez desde o início da doença. Buzinaços durante o trajeto para Santos e muita emoção acompanharam a família na viagem. O momento espontâneo foi registrado neste mês e compartilhado nas redes sociais, onde rapidamente ganhou repercussão com milhares de visualizações.
Ao reencontrar o mar, Clara reagiu com muita alegria e trouxe uma reflexão que ficou marcada para os familiares. “Do tamanho da imensidão do mar, ela entendeu que, se Deus criou tudo aquilo, Ele pode curar ela”, disse a mãe, Rafaela Faust.
Volta ao mar
Mais do que um simples passeio, para eles o momento significou o início de uma nova fase e a retomada gradual da infância interrompida pelo tratamento. A mãe contou que o período de isolamento foi um dos mais difíceis, principalmente pela impossibilidade de viver experiências, como frequentar a escola, brincar com amigos e estar com a família.
A mudança veio com o início da fase de manutenção do tratamento, quando Clara passou a ser liberada, aos poucos, para retomar atividades. Primeiro, voltou à escola. Depois, pôde ir à praia e nadar, o momento mais aguardado. Segundo Rafaela, o impacto do vídeo foi muito importante para Clara, que encontrou nas redes sociais uma forma de interação e acolhimento. A família agora usa esse alcance para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce e da doação de sangue, fundamental no tratamento de pacientes oncológicos.
Do primeiro sintoma ao diagnóstico
A mãe contou que a história começou com um sintoma aparentemente comum. Clara passou a sentir dores na perna direita e começou a mancar, sem apresentar sinais de queda ou machucado. A família buscou atendimento médico, mas, inicialmente, o quadro foi tratado como “dor do crescimento”, diagnóstico repetido em mais de uma avaliação. Com o passar dos dias, as dores se intensificaram e a criança chegou a cair ao descer uma escada. Mesmo assim, exames iniciais não indicaram alterações.
A confirmação da doença veio após cerca de um mês e meio, em julho de 2025, quando um especialista descartou causas ortopédicas e solicitou novos exames. Segundo a mãe, a família não conhecia nada sobre a doença. Ela ainda relata que a experiência evidenciou a importância da informação e do diagnóstico precoce. “O diagnóstico precoce pode salvar vidas. Talvez, se eu tivesse esse conhecimento antes, eu teria levado ela antes ao hospital", disse.
Tratamento e desafios da rotina
Com o diagnóstico confirmado, a rotina da família mudou completamente. A mãe precisou encerrar as atividades da loja que mantinha para acompanhar a filha durante o tratamento, que é de internações, sessões de quimioterapia e períodos de isolamento. Durante o processo, Clara enfrentou momentos delicados. Em uma das fases do tratamento, apresentou uma reação à medicação que exigiu uma internação prolongada, considerada um dos períodos mais difíceis pela família: “Eu pensei que eu poderia perder ela".
Apesar dos desafios, a força da criança surpreendeu a todos. Mesmo diante da dor, demonstrou coragem em situações extremas, como em um procedimento em que precisou receber várias punções. “Ela levou 29 picadas e disse: ‘Eu aguento, pode fazer de novo’", relembrou a mãe.
Família decidiu raspar a cabeça
Um dos momentos mais marcantes do tratamento foi a queda de cabelo. Para apoiar Clara, as duas avós, avô, pai e tio decidiram raspar a cabeça junto com a menina, em um gesto de acolhimento para mostrar que ela não estava sozinha. A família buscou ressignificar o momento, explicando à menina que a queda dos fios fazia parte do processo de cura. “A gente falou que, junto com o cabelo, a doença estava indo embora." Com o tempo, o que antes era dor se transformou em aceitação. Clara passou a encarar a própria imagem com leveza e autoestima. “Hoje ela fala que se sente uma linda carequinha", disse a mãe.
Fé e esperança
Atualmente, Clara está na fase de manutenção do tratamento, que deve se estender até 2028. Apesar dos avanços, o sentimento ainda é de cautela. Clara segue avançando etapa por etapa, cercada pela família e pela esperança de um futuro sem a doença. A fé também se tornou um pilar importante para a família, que passou a crer que a doença não seria para morte, mas sim, para glorificar a Deus. A experiência também transformou a forma como a mãe enxerga a vida e a maternidade. “Aprendi que estar presente vale mais do que dar presente", conclui.



