Criança de 5 anos supera picada de jararaca com tratamento avançado no Pará
No dia 14 de janeiro, João Paulo Soares Mendes, de apenas 5 anos, sofreu uma picada de cobra jararaca na mão esquerda enquanto colhia goiabas com o irmão em um sítio no município de Novo Progresso, localizado no sudoeste do estado do Pará. Após dias de intensa angústia para a família, o menino recebeu alta no último fim de semana do Hospital Regional do Baixo Amazonas Dr. Waldemar Penna, em Santarém, na região oeste do estado, marcando um desfecho positivo após um acidente grave.
Momento do acidente e primeiros socorros
A mãe da criança, Leidiane Soares Santos, relatou que o incidente ocorreu de forma súbita enquanto os filhos estavam próximos. “A gente estava próximo dele. O João e o irmão foram pegar goiaba e acho que a cobra estava camuflada. Só sei que já vieram gritando de lá”, afirmou ela. Imediatamente, a família prestou os primeiros socorros e buscou atendimento em Novo Progresso, sendo posteriormente transferida para Santarém devido à gravidade do caso.
Ao chegar ao HRBA, João Paulo apresentava sintomas preocupantes, incluindo bolhas, necrose e um inchaço intenso na mão esquerda. Ele foi atendido por uma equipe multidisciplinar composta por especialistas em cirurgia pediátrica, cirurgia vascular, infectologia, pediatria, fisioterapia e pelo time cuidador de pele da unidade hospitalar.
Tratamento especializado evita cirurgia
A pediatra Francivalda Batista Bernardes Calçado destacou que o tratamento intensivo permitiu evitar um procedimento cirúrgico e resultou em uma recuperação acima das expectativas. “Ele evoluiu muito bem, foi uma recuperação acima do esperado pela gravidade das lesões. Recebeu alta e não vai ficar com sequelas”, explicou a médica.
Durante a internação, o menino recebeu um conjunto abrangente de cuidados, que incluiu:
- Administração de antibióticos e analgesia para controlar a dor e infecções.
- Sessões regulares de fisioterapia para recuperar a mobilidade.
- Curativos especializados utilizando técnicas avançadas como laserterapia e ozonioterapia.
- Aplicação de coberturas com carvão ativado com prata, alginato com prata e curativos a vácuo.
O enfermeiro Domício Farias, responsável técnico do ambulatório de feridas, ressaltou que o estado inicial da criança era crítico, com risco real de amputação do membro. “Essa criança chegou aqui em um estado grave, até com risco de amputação do membro, e conseguimos reverter esse quadro com nossos cuidados baseados em protocolos”, afirmou ele. Vale destacar que o HRBA é a única unidade na região do Baixo Amazonas a oferecer esse tipo de serviço pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tendo realizado 6.545 procedimentos para tratamento de feridas apenas no ano passado, uma média de 545 por mês.
Recuperação dos movimentos e agradecimentos
Além das lesões cutâneas, João Paulo enfrentou fraqueza e limitação dos movimentos na mão e no braço esquerdo. A fisioterapeuta Sthefane Carneiro explicou que o trabalho foi focado na retomada da funcionalidade. “Ele chegou com a mão muito inchada, rígida e com muita dor. Ver ele saindo daqui fazendo os movimentos ativamente é uma felicidade muito grande”, declarou.
A mãe, Leidiane, acompanhou todo o processo de perto e expressou sua gratidão à equipe médica. “A mão dele estava começando a necrosar bastante. Hoje estou saindo agradecida”, relatou ela. Com a alta hospitalar e sem sequelas, João Paulo continuará em acompanhamento fisioterapêutico para assegurar uma recuperação completa.



