Cimed recolhe lotes de atorvastatina e rosuvastatina por mistura de embalagens
Cimed recolhe lotes de atorvastatina e rosuvastatina

Cimed inicia recolhimento voluntário de lotes de atorvastatina e rosuvastatina

Na segunda-feira (18), a fabricante Cimed Industria S.A. começou a recolher voluntariamente lotes de dois medicamentos da classe das estatinas: a atorvastatina cálcica e a rosuvastatina cálcica. De acordo com o Diário Oficial da União, o motivo foi a mistura de embalagens, com cartuchos de rosuvastatina sendo encontrados em lotes de atorvastatina. A empresa afirma que a medida é preventiva e voluntária.

As estatinas são amplamente prescritas para reduzir os níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. Elas atuam inibindo uma enzima no fígado responsável pela produção de colesterol, o que leva à queda dos níveis de LDL no sangue. O excesso de LDL pode se acumular nas artérias, formando placas e aumentando o risco de doenças cardíacas e AVC.

Benefícios das estatinas além da redução do colesterol

Além de diminuir o colesterol, as estatinas têm outros efeitos positivos, como redução da inflamação nas artérias, estabilização das placas de gordura e diminuição do risco de eventos cardiovasculares. Um estudo de dezembro de 2025 publicado no Annals of Internal Medicine mostrou que esses medicamentos reduzem significativamente a mortalidade em adultos com diabetes, independentemente do risco cardiovascular.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Como as estatinas agem no organismo

As estatinas bloqueiam uma via enzimática no fígado, reduzindo a produção de colesterol. Como resultado, o fígado capta mais colesterol do sangue através de receptores de LDL, diminuindo os níveis desse tipo de colesterol. Existem pelo menos seis tipos de estatinas, com potências variadas. A atorvastatina e a rosuvastatina em doses altas podem reduzir o LDL em cerca de 50%, enquanto outras, como sinvastatina e pravastatina, reduzem em torno de 30%.

Indicações para o uso de estatinas

O tratamento com estatinas é indicado para pacientes com LDL elevado que não respondem adequadamente a mudanças no estilo de vida, pessoas que já tiveram infarto, AVC ou angina, diabéticos acima de 40 anos, hipertensos com outros fatores de risco, histórico familiar de doença cardiovascular precoce e casos de hipercolesterolemia familiar.

Em 2025, a Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou suas diretrizes, endurecendo as metas de colesterol LDL e incluindo a categoria de risco extremo. As novas metas são:

  • Baixo risco: LDL menor que 115 mg/dL (antes era 130 mg/dL)
  • Risco intermediário: menor que 100 mg/dL (sem alteração)
  • Alto risco: menor que 70 mg/dL (sem alteração)
  • Muito alto risco: menor que 50 mg/dL (antes era 70 mg/dL)
  • Risco extremo: menor que 40 mg/dL (nova categoria)

Quanto maior o risco cardiovascular, mais baixo deve ser o nível de LDL. Dois pacientes com o mesmo LDL podem ter condutas diferentes, dependendo do risco individual.

Efeitos colaterais das estatinas

As estatinas são seguras e eficazes, mas podem causar efeitos colaterais. O mais comum é a dor muscular, que afeta cerca de 10% dos pacientes, geralmente leve e reversível com ajuste de dose ou troca de medicação. Em casos raros, pode ocorrer lesão muscular grave ou hepatite medicamentosa. Os benefícios do tratamento superam os riscos na maioria dos casos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar