Moradores de diferentes bairros de Rio Claro, no interior de São Paulo, têm enfrentado um problema recorrente: um cheiro muito forte que aparece em certos períodos do dia, causando preocupação e sintomas como dor de cabeça, ardência nos olhos e dificuldade para respirar. A situação tem obrigado muitos a manter portas e janelas fechadas para minimizar o desconforto.
Reclamações e sintomas
De acordo com relatos, o odor é descrito como semelhante a produtos químicos, como cloro de piscina ou ferro queimado, e se intensifica no final da tarde. Os moradores afirmam que o cheiro provoca não apenas dor de cabeça, mas também ardor nos olhos, entupimento nasal e até amortecimento da língua. Em casos mais graves, alguns precisaram usar máscaras dentro de casa para suportar o odor.
O aposentado José Antônio Magalhães, morador do bairro da Saúde, contou que a rotina mudou por causa do problema. "Às vezes, quando dá um vento, ele ameniza um pouco, mas quando não tem vento, o cheiro fica forte. É um cheiro que tem hora que fica insuportável", disse. Sua esposa, que tem problemas de saúde, tem sofrido bastante com a situação. "Ela se sente com dor de cabeça, então a gente fecha toda a casa, liga o ventilador para que o cheiro se afaste um pouco da casa", completou.
A aposentada Vera Ligia Rubini, do bairro Boa Morte, também relatou sentir o odor nos últimos meses. "É como se você colocasse cloro na água da piscina. Não é gás, porque a Comgás já esteve aqui, não é o encanamento da rua, os bueiros, porque já vieram também. Eles têm dado toda atenção ao povo daqui, mas é um cheiro muito forte, que vem mais para o final da tarde", afirmou. "Machuca o olho, arde muito, a respiração fica muito ruim, a língua começa a amortecer. Outros vizinhos se queixaram de dor de cabeça e a gente não sabe de onde vem", acrescentou.
A autônoma Rosana Aparecida Peixoto, vizinha de Vera, disse que os sintomas têm sido fortes desde que começou a sentir o cheiro. "A primeira vez eu senti um cheiro de ferro queimado, fui olhar minha casa se estava queimando alguma coisa e não estava. E eu fiquei sem ação, porque a gente não tinha o que fazer com esse cheiro. Depois disso, no outro dia veio esse cheiro mais ácido. Meu nariz ficou entupido, meu ouvido direito também está entupido e teve um dia que tava muito forte o cheiro que eu tive que pôr uma máscara para ficar em casa", relatou.
Ações das autoridades
A Prefeitura de Rio Claro informou que a Secretaria de Meio Ambiente vem realizando vistorias na região para entender qual a fonte geradora do desconforto. Já a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) comunicou que, nos próximos dias, irá realizar vistorias para identificar a origem do odor. Os moradores pedem que a prefeitura tome providências e acione órgãos ambientais para investigar a causa. "Essa movimentação toda tem que chegar na prefeitura, a prefeitura tomar atitude, né? E em último caso, acionar a Cetesb para fazer medição do ar, porque dependendo do grau pode ser muito prejudicial à nossa saúde", disse Rosana.



