Campinas confirma nove casos de superbactéria KPC e fecha UTI do Hospital Mário Gatti
Campinas fecha UTI após surto de superbactéria KPC em hospital

Campinas enfrenta surto de superbactéria KPC no Hospital Mário Gatti

Campinas, no interior de São Paulo, confirmou nesta segunda-feira (16) que mais dois pacientes da UTI Adulto do Hospital Mário Gatti estão infectados com a Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC), uma bactéria resistente a antibióticos conhecida como superbactéria. Com esses novos casos, o total de infectados chega a nove, mas não há registro de óbitos até o momento.

Medidas de contenção e fechamento da UTI

Segundo a Rede Mário Gatti, os dois novos diagnósticos são de pacientes internados há mais de sete dias na UTI, antes do fechamento da unidade e da implementação de medidas para conter o surto. A UTI adulto do hospital não recebe novos pacientes desde a última terça-feira (10), e aqueles que necessitam de cuidados intensivos estão sendo transferidos para leitos do Hospital Ouro Verde ou por meio da central de regulação de vagas.

Em nota, a instituição explicou que os resultados dos exames que confirmaram as infecções saíram antes que os pacientes fossem transferidos para uma ala de UTI contingencial, criada especificamente para pacientes sem a bactéria, visando evitar a propagação.

O que é a superbactéria KPC?

A KPC pertence a um grupo de bactérias que desenvolvem resistência a antibióticos, produzindo uma enzima que destrói diversos medicamentos comumente usados no tratamento de infecções bacterianas. Identificada no Brasil no início dos anos 2000, a superbactéria tem causado surtos periódicos em unidades de saúde, representando um desafio significativo para a saúde pública.

Causas e sintomas da infecção

De acordo com o infectologista e professor da Unicamp, Plínio Trabasso, o surgimento da KPC é uma consequência do uso prolongado de antibióticos potentes em ambientes hospitalares. "Elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que a gente vai utilizando e por isso são mais prevalentes nesse próprio ambiente. É muito importante fazer o controle da disseminação, inclusive, porque o tratamento é dificultado", destacou o especialista.

Os sintomas mais comuns associados à KPC incluem:

  • Infecções de corrente sanguínea (sepse)
  • Pneumonia
  • Infecções do trato respiratório
  • Infecções urinárias, embora menos frequentes
  • Infecções de feridas operatórias

Prevenção e transmissão

A KPC afeta principalmente pacientes internados com imunidade debilitada, como em UTIs. A transmissão ocorre por contato com fluidos de pessoas infectadas ou por meio de aparelhos como ventiladores mecânicos, cateteres e sondas. Falhas nos processos de higiene e desinfecção hospitalar podem facilitar a propagação, conhecida como transmissão cruzada.

Embora a infecção fora do ambiente hospitalar seja possível, sua incidência é baixa. O médico infectologista enfatiza a importância de medidas preventivas:

  1. Para a população em geral: realizar higiene das mãos com água e sabão ou álcool gel após contato com outras pessoas.
  2. Para profissionais de saúde: seguir rigorosamente as regras de higiene e segurança específicas.

As autoridades de saúde em Campinas continuam monitorando a situação de perto, reforçando a necessidade de vigilância e práticas adequadas para conter a disseminação da superbactéria KPC.