Campinas registra 577 casos de hepatite A e leptospirose em cinco anos com 20 mortes
O Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Campinas, no interior de São Paulo, divulgou dados alarmantes sobre doenças transmitidas por água contaminada. Entre os anos de 2022 e 2026, foram registrados 577 casos de hepatite A e leptospirose na região atendida pelo Departamento Regional de Saúde VII. No mesmo período, 20 pessoas perderam a vida em decorrência da leptospirose, uma doença bacteriana grave.
Dados epidemiológicos detalhados
Os números enviados pelo Governo Estadual a pedido do g1 revelam uma situação preocupante de saúde pública. Para a leptospirose, os casos foram distribuídos da seguinte forma: 38 casos e 4 óbitos em 2022, 32 casos e 6 óbitos em 2023, 31 casos e 7 óbitos em 2024, 23 casos e 3 óbitos em 2025, e 4 casos sem mortes em 2026. Já a hepatite A apresentou 41 casos em 2022, 160 em 2023, 148 em 2024, 100 em 2025, e nenhum caso registrado em 2026.
Período chuvoso exige cuidados redobrados
Diante da chegada do período chuvoso, a Secretaria de Saúde de Campinas reforçou as orientações para cuidados preventivos. As tempestades de verão frequentemente resultam em alagamentos de vias públicas e inundações de córregos, criando condições ideais para a transmissão dessas doenças. A exposição à água contaminada representa um risco significativo para a saúde da população.
A secretaria disponibiliza hipoclorito de sódio para residentes de imóveis afetados quando há risco comprovado de transmissão de doenças. A orientação oficial é que, nessas situações, os moradores acionem imediatamente a Defesa Civil pelo telefone 199 para uma avaliação inicial da situação.
Entendendo as doenças
Leptospirose é uma zoonose causada pela bactéria leptospira, transmitida principalmente pelo contato com urina de animais infectados (especialmente roedores) ou com água e lama contaminadas. Os sintomas incluem febre alta, dores musculares intensas, cefaleia, dor abdominal, falta de apetite, náuseas, vômitos, diarreia, vermelhidão ocular, tosse e dificuldade respiratória. Qualquer pessoa com febre após contato com água de enchente deve procurar atendimento médico imediatamente.
Hepatite A é causada por um vírus transmitido principalmente pela via fecal-oral, frequentemente associado a águas contaminadas durante alagamentos. Também pode ser transmitida por contato sexual oral ou anal. Não existe tratamento específico, e a automedicação é desaconselhada pois pode agravar o quadro hepático. Os sintomas iniciais incluem fadiga, mal-estar geral, febre, dores musculares, enjoo, vômitos, dor abdominal, constipação ou diarreia.
Medidas preventivas e vacinação
A vacina contra hepatite A integra o Calendário Nacional de Vacinação, com dose única recomendada pelo Ministério da Saúde para crianças aos 15 meses de idade. O imunizante está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde de Campinas, com endereços e horários de funcionamento divulgados online.
A Secretaria de Saúde também está intensificando a capacitação dos agentes comunitários de saúde para comunicação de riscos relacionados a enchentes e alagamentos. Esses profissionais atuam diretamente nas comunidades, orientando os moradores sobre medidas preventivas.
Recursos educativos disponíveis
No site oficial da Prefeitura de Campinas, a população encontra materiais educativos abrangentes com informações sobre como proceder caso apresente sintomas após contato com água de alagamento, técnicas adequadas de limpeza e desinfecção de ambientes utilizando hipoclorito de sódio, além de orientações específicas para profissionais de saúde. Esses recursos visam empoderar a comunidade com conhecimento prático para enfrentar os riscos sanitários associados às chuvas intensas.



