Fevereiro Roxo alerta: Brasil registra 55 mil novos casos de Alzheimer anualmente
Brasil tem 55 mil novos casos de Alzheimer por ano

Fevereiro Roxo: Brasil enfrenta 55 mil novos casos de Alzheimer a cada ano

Aos 92 anos, Francisco Breggi mantém uma rotina vibrante que vai muito além dos cuidados básicos de saúde. No Lar São Vicente de Paulo, localizado em Sorocaba, interior de São Paulo, ele participa ativamente de diversas atividades que estimulam o raciocínio, a atenção e a concentração. Para ele, esses exercícios são fundamentais para manter o pensamento ativo no cotidiano. "Para mim é ótimo, quando não tem atividade parece que não teve dia. Eu gosto muito de participar, me faz muito bem", relata Francisco com entusiasmo.

Estimulação cognitiva como rotina essencial

No Lar São Vicente de Paulo, que acolhe 93 idosos, os estímulos cognitivos são parte integrante da rotina diária. Cerca de 30% dos residentes foram diagnosticados com Alzheimer, e práticas como jogos de memória, palavras cruzadas, leitura e dinâmicas em grupo são consideradas essenciais para manter o cérebro ativo e funcional. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, mais de 55 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer a principal causa desse quadro.

No Brasil, a situação é alarmante, com 55 mil novos casos registrados anualmente. Em Sorocaba, a demanda por acolhimento especializado também é extremamente alta, com pelo menos 300 idosos aguardando na fila de espera por uma vaga no Lar São Vicente de Paulo. De acordo com a presidente da instituição, Josimara Negrini, aproximadamente 80% dessas pessoas possuem diagnóstico de Alzheimer, o que aumenta significativamente a necessidade de cuidados especializados e personalizados.

"A procura é grande porque geralmente a família não consegue cuidar, vai mudando os comportamentos, muitos trabalham e têm medo de deixar em casa porque acabam esquecendo tudo e ficam nervosos", explica a presidente, destacando os desafios enfrentados pelas famílias.

Conscientização e diagnóstico precoce no Fevereiro Roxo

Para conscientizar a população sobre a importância do conhecimento e do acolhimento, a campanha "Fevereiro Roxo" chama a atenção para a doença. A informação é considerada o primeiro passo para um diagnóstico precoce e um manejo adequado da condição, que costuma surgir após os 60 anos e evolui em fases distintas: inicial, moderada e grave.

Os sintomas do Alzheimer vão muito além da conhecida perda de memória. Segundo a psicóloga Isabelle Varella, é comum o surgimento de irritabilidade, depressão, ansiedade e até alucinações. Os primeiros sinais podem ser sutis e frequentemente confundidos com o cansaço do dia a dia, o que reforça a necessidade de atenção redobrada.

"Começam com esquecimento de datas, esquecimentos de conversas e eventos recentes, repetição de frases e perguntas de forma frequente, além de dificuldade para seguir instruções e receitas do dia a dia e uma mudança no comportamento, como o isolamento, antipatia, irritabilidade, agressividade e até mesmo a ansiedade e depressão", destaca a psicóloga.

Avanços no diagnóstico e tratamento

O médico Heitor Sado, do Centro de Medicina Nuclear do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), enfatiza a importância de identificar a doença e iniciar os tratamentos o quanto antes. "Uma das causas de doença de Alzheimer é o acúmulo da proteína amiloide no cérebro, que por sua vez pode ser detectada e visualizada pela Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET/CT), o que permite visualizar características muito específicas da doença de Alzheimer", explica o especialista.

"Desta forma, a Tomografia por Emissão de Pósitrons permite um diagnóstico precoce e muito antes dos sintomas aparecerem, propiciando novas estratégias de tratamento com a promessa de diminuir a velocidade de progressão da doença e, quem sabe, parar ou mesmo evitar que a doença apareça", completa Heitor.

Embora o Alzheimer não tenha cura, o avanço da doença pode ser retardado. Exames de imagem e avaliações cognitivas ajudam no diagnóstico preciso, e o tratamento inclui medicamentos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e reabilitação cognitiva.

Prevenção e qualidade de vida

Além do tratamento médico, a prevenção e a manutenção da qualidade de vida passam por hábitos simples e acessíveis. Especialistas indicam que, além dos exercícios mentais, é valioso manter amizades e cultivar uma boa vida social. As boas relações, como destacam os profissionais, se tornaram um verdadeiro remédio para a saúde do cérebro.

"Os estímulos da vida social são muito importantes, porque o isolamento acaba aumentando a doença e em conjunto o estímulo cognitivo através da música, pintura e artesanato promovem a saúde mental", aponta Isabelle Varella.

Em Sorocaba, a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) oferece apoio fundamental, promovendo encontros mensais para troca de experiências e orientações. Essas iniciativas reforçam a importância de uma abordagem integrada no cuidado com os idosos, combinando tratamento médico, suporte psicológico e atividades sociais para enfrentar os desafios do Alzheimer.