Apagões em Cuba colocam em risco partos de gestantes em meio a crise energética
Apagões em Cuba ameaçam partos de gestantes em crise energética

Imagens de satélite expõem apagão generalizado em Cuba após colapso no sistema elétrico

Desde que o governo do presidente americano Donald Trump impôs um bloqueio quase total a Cuba, há três meses, a situação no país caribenho tem se deteriorado rapidamente. Mauren Echevarría Peña, de 26 anos, está alojada em uma ala especializada da maternidade da capital, Havana, aguardando o nascimento de seu primeiro filho. Com uma gravidez complicada, diagnosticada com diabetes gestacional e hipertensão crônica, ela enfrenta o parto programado para o final do mês em meio a apagões prolongados que podem durar um dia inteiro.

Condições desafiadoras nos hospitais cubanos

No fim de semana de 21 de março, Cuba sofreu mais um colapso do sistema elétrico nacional, exacerbando a crise. Apesar disso, Echevarría expressa gratidão pela atenção da equipe médica, que trabalha contra o relógio sob condições extremamente difíceis. Em visita ao hospital público, a BBC testemunhou a chegada de uma coalizão internacional com doações para a maternidade. "Eles fizeram todo o possível por mim no hospital", relata Echevarría, com médicos ao seu lado. "Me deram os remédios e a insulina necessária para a saúde do meu bebê e da placenta." No entanto, ela não consegue esconder o medo de dar à luz durante um apagão.

Impacto da crise nas gestantes em Havana

Estima-se que haja cerca de 32,8 mil mulheres grávidas em Cuba atualmente, segundo estatísticas do governo. Muitas não recebem o mesmo apoio estatal que Echevarría. Indira Martínez, grávida de sete meses e residente em um subúrbio de Havana, enfrenta dias sem eletricidade, impossibilitada de cozinhar ou usar eletrodomésticos. "Você precisa se levantar de madrugada, quando a energia volta, para cozinhar o que tiver", ela conta. "E, muitas vezes, isso não tem as vitaminas e proteínas de que preciso." Martínez, que é cabeleireira, interrompeu o trabalho para proteger o bebê de produtos químicos, dependendo dos modestos ganhos do marido, ferreiro.

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Futuro incerto para as novas gerações

A crise se agravou após a retirada de tropas americanas do poder na Venezuela, antigo aliado de Cuba, em 3 de janeiro. Desde então, os Estados Unidos detiveram envios de petróleo para a ilha, e o presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas a parceiros energéticos como o México. Embora o México tenha enviado ajuda humanitária, incluindo leite em pó para gestantes, Martínez afirma não ter recebido nenhum apoio. "Não vi nada da ajuda humanitária enviada para Cuba", destaca ela. "Somos nós contra o mundo!" Seu medo vai além do parto, temendo pela vida futura da filha, Ainoa, em um país com educação deteriorada e oportunidades limitadas.

Consequências de longo prazo para Cuba

Nas últimas semanas, Cuba sofreu pelo menos dois apagões nacionais que prejudicaram severamente o atendimento de saúde. Hospitais possuem geradores, mas enfrentam dificuldades para obter combustível. Martínez lamenta: "Como mãe, quero oferecer uma vida plena à minha filha. Mas não tenho motivos para dizer que ela tem um futuro promissor." Com uma população envelhecida, baixa taxa de natalidade e alta emigração, a ilha precisa que mais jovens tenham filhos, mas a crise atual desencoraja essa decisão. Os bebês de Echevarría e Martínez nascerão em um dos momentos mais difíceis da história moderna de Cuba, refletindo uma realidade desoladora para uma nação em crise profunda.

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